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Ponto de cultura garante a sobrevivência da arte e cultura pantaneira
Data:02/10/2017 - Hora:11h19
Ponto de cultura garante a sobrevivência da arte e cultura pantaneira
Joner Campos

Nas mãos de um quase agrônomo a tradição de construir e tocar a viola de cocho ganha um sopro de vida. Marcelo Almeida de Campos Leite, 35 anos, está no 9º semestre de Agronomia da Unemat, mas decidiu aprender a construir a viola de cocho e também a tocar o instrumento com o mestre da cultura e tradição pantaneira, Lourenço da Guia Ferreira Mendes, 79 anos.

O seu Lourenço como é conhecido, é um dos poucos cacerenses que domina a arte de fazer a viola de cocho.  “Eu conheço uns dois que ainda fazem a viola de cocho, tem outros dois que já estão perto dos 100 anos e não estão mais fabricando. Minha ideia é que outros aprendam, e a nossa tradição permaneça. Eu estou pensando positivo, só falta o material humano para aprender”, afirma.

Joner Campos

Ganzá

Um ganzá sendo feito pelo Mestre Justino

Na casa do sr. Lourenço, estão a postos pedaços de madeira “chimbuva” doada que são a matéria prima para dar vida a diversas violas de cocho. O material está disponível esperando alunos e interessados em aprender a fazer o instrumento, em uma das cinco oficinas que acontecem na casa dele, por meio do Ponto de Cultura, implantado pela Associação Cultural do Grupo Cururu Pantaneiro,  que pretende ensinar gratuitamente a confecção de Viola de Cocho com o Sr. Lourenço; confecção de Ganzá, com o mestre Justino;  musicalização com a mestre Aline; Dança Siriri com a mestre Marilze e oficina de Mocho com o mestre João Ramos.

Para que um pedaço de madeira se torne o principal ícone da cultura pantaneira, que tem o registro do modo de fazer a viola de cocho como patrimônio imaterial do Brasil,  o mestre Lourenço leva cerca de três diz esculpindo e lavrando o tronco inteiriço. É essa arte que ele está ensinando ao acadêmico Marcelo. “Eu penso que ele vai sair daqui sabendo fazer o instrumento, sabendo afinar e se tiver dom, a tocar também”, afirma.

Joner Campos

Aluno de Agronomia

Marcelo Almeida de Campos Leite, 35 anos, está no 9º semestre de Agronomia da Unemat, mas decidiu aprender a construir a viola de cocho.

O aprendiz olha encantado para o mestre e absorve as histórias e também a cultura enquanto aprende a dominar o facão batendo na madeira. “Tem que acompanhar de perto, cuidar porque se errar a mão pode perder toda madeira, todo o trabalho”, alerta o mestre. O recém iniciado na arte de fazer a viola, conta que viu um cartaz no câmpus da Unemat informando sobre a possibilidade de aprender e se interessou. “Eu toco um pouco de violão e também de viola caipira e espero aprender a viola de cocho. É uma forma de preservar e resgatar a nossa cultura”, diz.

O mestre Lourenço, conta que começou a tocar a viola de cocho aos 10 anos, acompanhando os pais, e aos 17 anos fez sua primeira viola de cocho com a ajuda de um amigo. “Eu quis ter um instrumento para mim, fui olhando e aprendi a fazer. Tem outras pessoas que também fazem, cada um tem seu estilo”, diz.  Mas depois desse primeiro ensaio, só voltou a fabricar o instrumento que toca há sete décadas em 1993. “Nessa época a gente tinha um grupo da cultura pantaneira e a gente não tinha um instrumento, tinha que pegar emprestado, até que compramos uma viola, mas depois comecei a fazer o instrumento”.

Joner Campos

Aluno e Mestre

O recém iniciado na arte de fazer a viola, Marcelo Almeida de Campos Leite conta que viu um cartaz no câmpus da Unemat informando sobre a possibilidade de aprender e se interessou.

Hoje o sr. Lourenço faz violas para vender, e faz também miniaturas para decoração.  “eu aproveito todo pedaço da madeira para fazer o instrumento”, afirma. “Mas eu nunca derrubei uma árvore para fazer a viola de cocho. De sarã mesmo nunca fiz nenhuma, a que eu mais uso é a chibuva. Essa madeira que eu ganhei foi um rapaz que plantou a semente e derrubou a árvore e as sobras ele me doou. Tanto que essa madeira já está seca e os alunos estão tendo um pouco mais de trabalho para fazer o instrumento”, afirma. O ideal, segundo ele, é depois que a arvore é colhida deixar secar por uns 10 a 15 dias e então trabalhar com a madeira.

Sem tristeza, o mestre Lourenço, acompanhado do mestre Justino Lopes de Barros, 68 anos (cururueiro, tocador de viola de cocho e ganzá), constatam que ao longo dos anos o interesse pelas tradições vem diminuindo. “Eu tenho seis filhos, e um menino e uma menina gostam do siriri e da nossa cultura” conta sr. Justino.

“As coisas mudaram muito, hoje a cultura está mais eletrônica. As pessoas não exercitam mais. Antes era tudo mais vivo, as pessoas tocavam viola, as famílias sentavam em roda e fazíamos brincadeiras sob a luz do luar. Hoje isso não acontece mais. Até nas nossas festas religiosas está diferente, já usam a música eletrônica, antes não era assim. O nosso rasqueado legítimo já saiu da área, não existe mais”, afirma sr. Lourenço.

Mestre Justino, gosta de fazer repentes e versos. No ponto de Cultura, ele é oficineiro de confecção de ganzá. Conta que aprendeu a fazer o instrumento com o seu pai e que transforma o bambu em instrumento desde o 12 anos. Com habilidade utiliza uma faca bastante afiada para fazer as ranhuras e depois para rachar o bambu e dar o som característico das rodas de Siriri e Cururu, e conta mostrando as mãos: “mesmo sem um dedo, eu nunca me cortei fazendo ganzá”.

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Senhor Lourenço

O mestre Lourenço, conta que começou a tocar a viola de cocho aos 10 anos, acompanhando os pais, e aos 17 anos fez sua primeira viola de cocho com a ajuda de um amigo.

O mestre Lourenço é um apaixonado pela cultura e tradição, tanto que decidiu transformar sua residência em um ponto de cultura e está oferecendo gratuitamente cinco oficinas. Os interessados podem procurar diretamente a sua residência na Av. Tancredo Neves, 622, ao lado da Empresa Oi. Os interessados em participar das oficinas pode se informar também pelo telefone: (65) 99933-1341 e 98117-8229. 

 


fonte: Cáceres Notícias /Lygia Lima

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