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De descendência
Data:23/1/2018 - Hora:09h29
De descendência
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Feliz é o homem que resignadamente se deixa vencer pela idade – que respeita o ciclo da vida, que não desafia a fragilidade humana que o faz simples mortal. O peso dos anos para uns chega mais cedo, outros conseguem sobrevida maior, mas todos, principalmente quando minados pelas doenças comuns aos de terceira idade, mais dia menos dia deixam suas funções.

Nunca planejei aposentadoria e nem direito tenho ao pijama remunerado. Porém, independentemente desse quesito – crucial pra sobrevivência de alguém pobre enquanto eu – vejo que chegou o momento de parar. Não pode ser uma ruptura imediata, mas tem que acontecer o mais rápido possível para não cair na vulgaridade do velho jogador que brilhou no passado e continua entre as quatro linhas sem entender que as pernas e os reflexos não mais respondem como nos tempos de craque (não vai nesse exemplo nenhuma analogia, porque no jornalismo comparado ao futebol, sempre fui perna de pau quando o assunto é qualidade editorial).

A rotina diária na redação ou na estrada em busca da informação é prazerosa. Tentarei não sentir saudade desse tempo, que se arrasta por algumas décadas e que responde pelo pão que sustenta minha família.

Depois do último ponto final serei página virada nessa jornada. Lamento pelo pouco que produzi e por minha limitada participação no contexto mato-grossense onde fui praticamente mero observador. Mesmo assim tenho a consciência tranquila pelo que fiz.

Na trajetória o passo a passo foi difícil (continua) porque os poderosos não se sentem confortáveis diante da crítica, da denúncia, do questionamento.

Minha mulher e meus filhos me conhecem bem. Não precisarão buscar na história o perfil que construí. Graças a Deus nos amamos. Meus netos, muito novos, esses sim, terão que recorrer a esse expediente. Eles não encontrarão um vovô diplomado, com honorífico boton, comensal da maionese da elite, nem verão currículo recheado de nomeações para cargos comissionados relevantes. Sou mero peão de redação e ermitão entre a multidão, longe das rodas filosóficas que debatem o mundo.

Creio que no futuro, a melhor maneira pra que meus netos possam me conhecer será o arquivo do meu modesto texto, que não deixo contaminar por meus erros e defeitos – muitos. Lendo o vovô eles figuradamente desfilarão pelo meu coração, onde brota o que escrevo. Espero que a leitura de artigos, reportagens e livros de minha autoria seja para eles o espelho de uma profissão exercida na adversidade, em alguns momentos sob pressão, mas sempre com alegria e de cabeça erguida. Vou concluir dois livros, limpar as gavetas. Em breve encontrarei algo, ainda que um ponto pra venda de espetinhos de modo a garantir o sustento.

Desembarco do jornalismo acreditando que o dever foi cumprido dentro das minhas limitações. Peço perdão por eventuais erros. Espero não decepcionar minha descendência.

 

Eduardo Gomes de Andrade, jornalista

 


fonte: por Eduardo Gomes de Andrade

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