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70% da cocaína que abastece mercado de SP e RJ passa por MT. Em Cáceres 1 kg da droga custa 5 mil
Data:02/04/2018 - Hora:09h05
70% da cocaína que abastece mercado de SP e RJ passa por MT. Em Cáceres 1 kg da droga custa 5 mil
reprodução

Mato Grosso é um dos maiores corredores de drogas como cocaína do país. Com mais de 750 km de fronteira seca, o Estado integra a logística das quadrilhas como opção para o transporte terrestre do entorpecente. A droga vem de avião do país vizinho, a Bolívia, e é descarregada no Estado. Depois, ela é transportada em caminhões com cargas lícitas, como de soja e milho, que vão para Santos (SP). Nos portos de exportação, funcionários são corrompidos e a droga é acomodada em contêineres com as cargas lícitas e seguem para a Europa.

Pelo menos 70% da cocaína que abastece São Paulo e Rio de Janeiro, sai de Mato Grosso. A maior parte das drogas que entram no Estado é jogada por pequenos aviões em fazendas de cidades do interior que fazem fronteira com a Bolívia - o terceiro país maior produtor da droga no mundo - e também por pousos de aviões em pistas clandestinas.

 levantou que as principais áreas usadas pelo tráfico são: Poconé, Barra do Bugres, Tangará da Serra e Cáceres. Os grupos buscam cidades rurais, como definido pelo jornalista e escritor gaúcho Allan de Abreu em seu livro “Cocaína-Rota Caipira”.

Mato Grosso é o segundo estado a compor essa rota, perdendo apenas para Mato Grosso do Sul. “Mato Grosso é a principal rota quando se trata de cocaína. Estamos ao lado da Bolívia e, realmente, ela passa por aqui para abastecer os maiores polos”, conta uma policial que pede para não ser identificado.
Arquivo
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Delegado federal Dennis Maximino do Ó diz que drogas saem de MT em caminhões com cargas lícitas de soja e milho
O crime tem um modus operandi. Os traficantes sequestram aeronaves de pequeno porte, buscam a cocaína na Bolívia e sobrevoam abaixo dos radares aéreos para evitar que sejam detectados. Quando conseguem pousar, enterram a droga e começam a transportá-la em “formiguinhas”. “Tira uma quantidade, tira outra e assim começam a distribuir para quem vai transportá-la em mulas, caminhões com cargas lícitas de soja e milho”, explica o delegado federal da Delegacia de repressão a entorpecentes (DRE) em Mato Grosso, Dennis Maximino do Ó.

O delegado explica que, por questões de clima, a cocaína é originária dos Andes, com cultivo em países como Peru, Colômbia e Bolívia. Os carregamentos entram em Mato Grosso do Sul por Corumbá, que faz fronteira com Puerto Quijarro. Por logística, é levada, em algumas vezes, para a fronteira do Paraguai e em outras para a fronteira com a Bolívia e depois é distribuída pelos mercados nacional e internacional.

Para se ter uma ideia, investigações apontam que o megatraficante de cocaína Luiz Carlos da Rocha, o "Cabeça Branca", preso em 1º de julho passado, em Sorriso (420 km ao Norte de Cuiabá), usava suas fazendas em Mato Grosso para receber aviões que traziam drogas da Bolívia, Peru e Colômbia.

Essa cocaína, conforme o  apurou é comprada na Bolívia pelos traficantes por R$ 2,5 mil/kg e chega a Cáceres a R$ 5 mil/kg. Na Capital, o valor sobe 100% e passa a ser vendido a R$ 10 mil/kg e chega a São Paulo e Rio de Janeiro a R$ 25 mil/kg. Fazendo uma analogia neste caso, o produto cocaína praticamente devolve ao carro roubado seu preço de mercado, sendo um negócio bastante lucrativo ao crime organizado.

Mais ainda, quando cada quilo de pasta base desta droga pode fazer até 4 kg da cocaína refinada para venda. E o que sobrar vira crack ou merla (um produto grosseiro, obtido das primeiras fases de separação da cocaína, a partir do processamento das folhas da planta).
 
Para a cocaína ganhar terreno, se o destino for o Rio de Janeiro a geografia não ajuda o tráfico por conta das montanhas, e é mais comum o carregamento seguir por vias movimentadas. Mas se for para chegar até o Japão, a 100 mil dólares o quilo, a preferência de transporte é pelo Porto de Santos, no litoral paulista e o maior do Brasil. “O tráfico corrompe funcionários para abrir os contêineres com cargas lícitas. Eles abrem o lacre, colocam as mochilas com cocaína dentro, fecham, colocam o lacre falso e o contêiner segue para a Europa”, afirma uma fonte.

Apreensões

O delegado ressalta que a Inteligência da Polícia Federal busca aumentar a fiscalização da fronteira de Mato Grosso com o país vizinho para tentar bloquear a entrada da droga, mas ele admite que o trabalho não é fácil. “Trabalhamos em conjunto com as forças de Segurança do Estado, PRF, Gefron, Polícia Civil, e isso tem tido um bom resultado como são comprovados nos números de apreensões”, conta. Ele destaca que somente em Cuiabá, em 2017, foram apreedidas 3,7 toneladas do entorpecente.

Já neste ano, de janeiro a 14 de março foram apreendidos em Cáceres 395 kg cocaína e em Rondonópolis mais 543 kg . Em Barra do Garças e Sinop não houve apreensões. O delegado relata ainda que, em sua maioria, a cocaína não fica em Mato Grosso. Já com relação à maconha, Dennis explica que a maioria entra no estado para consumo doméstico e é distribuído para estados como Acre e Rondônia. “É bem pouca a apreensão com a maconha aqui, pois somente pegamos uma pequena parte da fronteira com o Paraguai, lá pelo lado de Poconé. A grande parte desta droga entra por Mato Grosso do Sul”, diz.

Milícias

Em junho de 2015 a Polícia Federal em São Paulo, desmantelou uma organização criminosa. De acordo com a publicação do Estadão, era comandada por empresários brasileiros, responsáveis pelo transporte de cocaína das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) da Venezuela para Honduras, onde toneladas da droga eram entregues aos cartéis mexicanos de Sinaloa e Los Zetas. O grupo comprava códigos de identificação do controle aéreo venezuelano que, assim, deixava de abater o avião. Cada voo pagava até US$ 400 mil de propina a militares da Venezuela.

Foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso. Bens, imóveis, empresas e contas bancárias foram sequestrados pela Justiça Federal.

As investigações iniciaram em 2012 e haviam resultado na apreensão do helicóptero da empresa Limeira Participações, do senador Zezé Perrella (PDT-MG), em 2013, no Espírito Santo, com 445 quilos de cocaína. Essa ação foi denominada como primeira fase da Operação Dona Bárbara.


fonte: Barbara Sá/RDNews

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