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A ditadura da beleza
Data:16/04/2018 - Hora:09h32
A ditadura da beleza
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É difícil estarmos satisfeitos, ainda que estejamos bem fisicamente, a dieta esteja surtindo efeito, que não tenhamos faltado à academia, e o reiki, o pilates ou a velha e boa caminhada esteja dando certo.

Sempre nos encontramos questionando o espelho, pensando : “ podia perder uns centímetros aqui na cintura” , ou então, ganhar uns milímetros a mais na coxa, ou endurecê-la ,já que a lei da gravidade é sempre injusta e implacável ! Enfim, nunca estamos satisfeitos, e os mais exigentes, os perfeccionistas, “os narcisos”, sempre estão recorrendo à cirurgias, e métodos que a cada dia estão mais modernos com os avanços da medicina.

A pressão é grande, e nós, mulheres, principalmente, acabamos nos deixando escravizar pela ditadura da beleza, nos culpamos quando engordamos, quando deixamos a raiz do cabelo ficar descolorida, ou os fios brancos, que sempre ingratos teimam em aparecer, bastam uma ou duas semanas e os fios estão lá, brilhando, fazendo alarde, provocando nossa auto estima .

E como se não bastassem tudo isso, e inúmeros detalhes “ tão imperfeitos”, ainda temos aqueles amigos que não hesitam em nos lembrar que estamos engordando, ou que há muito deixamos de ser “toalha felpuda, agora estamos mais pra pano de chão”. Mas ainda assim sobrevivemos, pois aprendemos às duras penas, a levar na esportiva, o consolo é que eles envelheceram tanto quanto você, ou o que nos alegra, uns mais que você .

Sem falar que infelizmente, existem as pessoas horríveis, sem nenhum tato, ou educação mesmo, que diz na sua cara, ou pior, nas suas costas, pra você ouvir, mas sem lhe dar chance de retrucar,” Como ela tá feia, ou gorda !

Lembro-me uma vez em que resolvi descolorir os cabelos, e pintá-los de louro, e saí pra rua, me sentindo bem, definitivamente louríssima, até que uma tinta escura resolvesse o dilema ! E ouvi uma senhora,( nada distinta), daquelas bem desbocada mesmo, dizer para amigos dela, “Como essa aí ficou feia, eu que não quero pintar pra ficar feia desse jeito” ! Na hora até pensei que não era comigo, (estava numa rua movimentada),mas logo senti que a coisa era comigo mesmo.

Fiquei chateada, mas logo passou, lembrei que ela (também) não era bonita, e nem jovem, e relevei. Depois fiquei pensando nessa coisa de você desejar ser loura (ruiva), e o efeito que isso traz pra sua vida, é como se você tivesse a obrigação de ser bonita e desejável, o tempo todo, pois a verdade é que o mundo passa a te olhar diferentemente quando você decide mudar a cor de seus cabelos (e porque não ?).

Quando você pinta, muda a cor dos cabelos, os olhares mudam, uns são de surpresa, como se te perguntassem “ Nossa, tá loura ?, ou algo como : É, quer causar, né ? Algo

nesse sentido, você sente os olhares, de admiração, reprovação, e você mesma começa a se policiar, se sente na obrigação de se cuidar melhor, afinal pintou os cabelos, agora tem dar uma arrumadinha, passar um lápis nos olhos,(agora nas sobrancelhas também). Você passa a ter um certo cuidado no que vai vestir , mesmo que vá à padaria mais próxima de sua casa. É como se o fato de você pintá-los significasse que você tem a obrigação de se arrumar melhor, se cuidar melhor !

Somos constantemente pressionadas a cuidar mais de nosso corpo, de nossa estética, sobretudo a fazer uso de métodos que retardem o envelhecimento, a atriz Beth Faria, já desabafou “Deixem-me envelhecer !”

É como se não houvesse dignidade no ato de ir envelhecendo naturalmente. A ditadura da beleza investe pesado nisso, a indústria de produtos de beleza não poupam esforços, nem dinheiro, para incentivar o consumo de cosméticos e remédios que prometem verdadeiros milagres, e alguns chegam a fazer mesmo, nem que sejam por pouco tempo.

Mas, a final cada um de nós tem o direito de escolher como deseja (ou não) envelhecer, e aquele que tenha condições de se submeter ao bisturi, a auto estima, agradece !

É preciso encontrar um equilíbrio para poder envelhecer com alguma dignidade, ter serenidade para poder encontrar prazer nas coisas banais. Saber aproveitar o tempo, dosá-lo com a medida certa, não perder tempo com tarefas e compromissos desnecessários, que já não nos satisfazem mais.

Ter a liberdade de dizer não sem sentir remorso, aprender a dar valor a sua companhia, e ofertá-la a quem lhe faz bem, e a valoriza. Uma cervejinha(ou chá) com as amigas faz um bem danado e ajuda a espantar o tédio e a solidão.

que a mulher sempre se supera, e não se cansa de se reinventar, Caetano Veloso há muito tempo atrás já profetizou que a mulher vai ser o que quis, inventando um lugar, onde a gente e a natureza feliz vivam sempre em comunhão, e a tigresa possa mais do que um leão “.

É certo que, a natureza apesar de perfeita não anda lá muito satisfeita ao modo como tem sido tratada, e tem nos dado mostras disso, com seus furacões e tormentas, e ao passo que a mulher tem demonstrado que apesar de, gostar de flores, maquiagem, e tudo mais a quem tem direito, pois independentemente da idade “toda mulher quer ser amada, toda mulher quer ser feliz, e apesar de às vezes se fazer de doida, toda mulher é meio Leila Diniz “.

 

Cristhiane Ortiz

Formada em Letras pela Universidade do Estado de Mato Grosso- UNEMAT

Mestranda em Línguística pela Universidade do Estado de Mato Grosso. UNEMAT.


fonte: por Cristhiane Ortiz

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