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PANVET

A palo seco
Data:09/05/2018 - Hora:07h34
A palo seco
arquivo

Sofremos por não podermos controlar o que não está em nosso alcance, ficamos desolados quando vemos ‘ acidentes ‘ como esses em que prédios desabam levando com eles pessoas, interrompendo vidas, e sonhos.

E me pergunto: mas será que não está ao nosso alcance mesmo ?  Pessoas sem ter um chão para morar, corpos que se amontoam, e se dilaceram por conta de condições completamente desfavoráveis.

Temos visto que cada vez mais pessoas acabam vivendo em lugares de risco, sem ter um local digno pra viver. São multidões que invadem prédios abandonados, não porque decidiram viver perigosamente, mas por não terem alternativa, e a solução “ adequada” foi injustamente buscar um lugar inadequado mesmo pra morar.

E daí o resultado são sonhos que acabam soterrados juntamente com a chance de viver ‘ ‘indignamente’ , os que sobrevivem, ficam atônitos vendo o que poderia ter lhes acontecido, como o vizinho que foi embora prematuramente com seus pertences que juntou a vida toda, e pior, o mais trágico é que passado o susto, voltam a habitar em outro lugar inapropriado, pois é o que lhes resta para viver.

O que deixa um sabor ocre em nossos corações, o gosto amargo de saber que enquanto sonhamos com o paraíso, nosso irmão vive um purgatório, longe de nossos olhos, já que voltamos o olhar para paisagens mais confortáveis, como as vitrines de lojas e as imagens da mídia que mascaram a realidade e colorem o mundo cada vez mais vasto e desordenado.

As imagens da Síria, e outras imagens de guerra são desoladoras, e causam revolta, como se não tivéssemos aqui paisagens incultas e céus sangrentos, parece que olhar para o irmão que está longe, do outro lado do continente conforta-nos, afinal vivem tão longe, e pouco podemos fazer.

E isso tudo causa-nos comoção, uma espécie de catarse, assim podemos lamentar, derramar uma lágrima ou outra, mas nada que um lenço de seda não resolva e abrande.

É mais fácil ver a guerra de outros , afinal aqui no Brasil não acontece nem mesmo furacões, somos mesmo um país abençoado, sem guerras, sem terremotos, e furacões, só pequenas morolinhas. Mas o que podem se tornar grandes tormentas, terríveis e sangrentas batalhas que detonam famílias, com seus componentes, pois os muros altos e portões de ferro não podem segurar por muito tempo a violência que se alastra e acaba invadindo como água em dias de tempestades e tormentas.

Você deve estar se perguntando o por quê desse tema nebuloso para explanar, quando temos muitos assuntos mais agradáveis, e gostosos ,mas é que depois dos 30, pra não dizer 50, sentimo-nos culpados por tudo e todos, os sentimentos ganham mais proporção, quando sinto, sinto muito ! Quando gosto, é na mesma intensidade, mas parece que a felicidade nunca é completa, sempre tem algo a nos perturbar, tudo nos comove, tudo nos abala, e pequenos acontecimentos podem gerar grandes confusões, como um simples bater de asas de uma borboleta no Alaska pode gerar instabilidade no resto do mundo, e estamos conectados, interligados uns aos outros por fios invisíveis, sabemos que toda ação causa um efeito, uma taça de açaí, por exemplo com tudo o que tem de direito, tem seu valor, e desencadeia boas sensações, ou um doce de furrundú, mas sem creme de leite, pois daí já é exagero, e precisamos nos conter mais, já que o sexo há muito deixou de ser fluente, e o mais certo agora é o prazer seguro, (o da gula), apesar de que todo cuidado é pouco, e o açaí nem é tão inocente como parece ser !

Mas , “ Sei que assim falando pensas

Que esse desespero é moda em 76

Mas ando mesmo descontente Desesperadamente, eu grito em português (...)

Tenho vinte e cinco anos(50)

De sonho e de sangue

E de América do Sul

Por força deste destino

Um tango argentino Me vai bem melhor que um blues

E eu quero (mesmo)é que esse canto torto

Feito faca, corte a carne de vocês...”

(A palo seco-Belchior.)

 

Cristhiane Ortiz

Formada em Letras na UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO

Mestranda em Línguística na UNIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO


fonte: por Cristhiane Ortiz

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