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Grávida denuncia colchão com sangue podre e caos em maternidade de Cáceres
Por Folha 5
01/04/2026 - 14:29

Foto: reprodução

Relato aponta superlotação, enfermarias fechadas, falta de leitos e condições insalubres na maternidade anexa ao Regional

 

 

Dor, cansaço, medo e revolta. Foi assim que uma mãe descreveu, o que viveu dentro da maternidade do Hospital São Luiz, unidade anexa ao Hospital Regional de Cáceres. O relato é pesado, constrangedor e joga no colo das autoridades uma denúncia que, se confirmada, escancara um cenário de abandono contra gestantes, bebês e até profissionais da enfermagem.

A denunciante contou que já estava no fim da gravidez quando deu entrada na unidade, mas mesmo com dores intensas teria ficado mais de três horas sentada esperando vaga, sem leito e sem estrutura mínima para descansar. Segundo ela, só conseguiu se deitar porque improvisaram uma maca de transporte com colchão, já que não havia cama disponível.

O quadro descrito é de colapso. De acordo com a mãe, a maternidade estaria superlotada e com enfermarias fechadas por falta de ar-condicionado há semanas. Enquanto isso, mulheres grávidas seguiriam aguardando atendimento em condições precárias, sofrendo em cadeiras, em meio ao calor, ao desconforto e ao descaso.

Mas o relato vai além e entra num terreno ainda mais revoltante. A mulher afirma que, durante a internação, viu profissionais da enfermagem dormindo no chão, debaixo de pia e até sob mesas, sem qualquer dignidade. Segundo ela, o número de funcionários aumentou, mas a estrutura para receber essa equipe simplesmente não acompanhou a demanda.

O momento mais chocante, porém, teria acontecido na hora do parto. A mãe denunciou que foi colocada sobre um colchão sujo de sangue de outra paciente, com forte mau cheiro e visível falta de higiene. Ela também relatou que os colchões da sala de parto estariam rasgados, deteriorados e contaminados por secreções, num cenário que assusta qualquer pessoa e levanta alerta máximo sobre risco de infecção.

A revolta da denunciante aumenta quando ela compara a propaganda oficial com a realidade que viu de perto. Enquanto aparecem discursos de melhoria, pintura, parede bonita e piso novo, o que ela diz ter encontrado foi falta de leito, colchão imundo, enfermarias fechadas e um ambiente humilhante para quem deveria ser acolhida em um dos momentos mais delicados da vida.

Apesar da dura denúncia, a mulher fez questão de separar as coisas e afirmou que foi bem atendida pelos profissionais da unidade. A crítica, segundo ela, não é contra médicos, enfermeiros e demais trabalhadores, mas contra a precariedade da estrutura oferecida tanto para pacientes quanto para os próprios servidores.

A denúncia agora precisa sair do campo do espanto e entrar no da apuração séria. O que está sendo relatado não é detalhe, não é mero desconforto e muito menos frescura. Estamos falando de gestantes em trabalho de parto, bebês prestes a nascer e profissionais submetidos a um ambiente que, pelo teor da denúncia, estaria muito longe do mínimo aceitável.

Se o quadro for confirmado, Cáceres não está diante apenas de uma falha administrativa. Está diante de um escândalo sanitário e humano.

OUTRO LADO

Procurada pela reportagem, a Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde(Agir), responsável pela gestão do Hospital Regional de Cáceres, foi questionada sobre possível superlotação na maternidade, eventual fechamento de leitos e enfermarias, falta de estrutura para gestantes e servidores, condições de higiene dos colchões e adoção de medidas emergenciais diante da denúncia.

Em nota, a Agir afirmou que a unidade, anteriormente denominada maternidade Hospital São Luiz, mantém funcionamento regular e opera com taxa média de ocupação dentro dos parâmetros da unidade. A associação também declarou que adota protocolos assistenciais voltados à segurança e humanização, que a estrutura passa por monitoramento contínuo e ajustes operacionais, e que existem espaços de repouso adequados para os profissionais.

A gestora acrescentou ainda que segue protocolos de higienização, controle de infecção e manutenção de equipamentos e mobiliários, com vistorias e substituições permanentes, conforme normas sanitárias. Por fim, afirmou que todas as manifestações recebidas são registradas e analisadas internamente, e reafirmou compromisso com a transparência, a qualidade do atendimento e a segurança dos pacientes.

 

 

 

 

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