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Violência doméstica atinge também crianças e bebês em MT
Por Maria Clara Silva/Diário de Cuiabá
03/08/2026 - 16:24

Foto: reprodução/fioto ilustrativa

A violência doméstica em Mato Grosso tem ultrapassado as agressões entre casais e atingido também crianças e bebês, que passam a conviver diretamente com a brutalidade ou se tornam vítimas dos próprios episódios de violência familiar. Casos registrados nos últimos dias em diferentes municípios do Estado reforçam a preocupação de autoridades e especialistas com a escalada desse tipo de crime.

Em Querência, uma jovem de 22 anos denunciou o companheiro, de 32 anos, após ser agredida duas vezes durante a madrugada de sábado (1º). Segundo o boletim de ocorrência, o homem a estrangulou depois de uma discussão motivada pela suspeita de traição. Após a primeira agressão, a vítima pegou o celular do companheiro, encontrou mensagens trocadas com outras mulheres e voltou a ser atacada. O suspeito teria pressionado o pescoço da mulher com uma das pernas, restringindo seus movimentos. A Polícia Militar encontrou a vítima com marcas de vermelhidão no pescoço e no ombro e prendeu o agressor em flagrante.

O episódio soma-se a outras ocorrências recentes envolvendo crianças.

INFO violencia domestica

 

Em um dos casos, um casal foi preso suspeito de torturar uma criança de sete anos e um bebê, evidenciando um cenário em que menores de idade deixam de ser apenas espectadores da violência doméstica e passam a sofrer agressões físicas dentro do ambiente que deveria lhes garantir proteção.

Outra ocorrência mobilizou as forças de segurança após uma bebê de apenas 10 meses ser atingida na cabeça durante uma briga entre os pais. O caso reforça que, mesmo quando não são o alvo direto da agressão, crianças pequenas acabam expostas ao risco de lesões graves provocadas pelos conflitos familiares.

Violência que se repete - Para profissionais da área de proteção à infância, a repetição desses episódios demonstra que a violência doméstica produz consequências que vão muito além das vítimas diretamente agredidas.

Crianças expostas a ambientes marcados por agressões físicas, ameaças e intimidações apresentam maior risco de desenvolver traumas emocionais, dificuldades de aprendizagem, ansiedade e depressão. Em situações mais graves, elas próprias passam a sofrer violência física, psicológica ou negligência.

A presença de filhos durante discussões e agressões também aumenta a complexidade das ocorrências policiais, exigindo atuação conjunta de órgãos como Conselho Tutelar, Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher, Ministério Público e Poder Judiciário.

Sinais de alerta - Especialistas destacam que comportamentos como controle excessivo, ameaças, agressões verbais, estrangulamento, perseguição e violência física costumam representar uma escalada do risco para mulheres e crianças.

Por isso, a orientação é que familiares, vizinhos e pessoas próximas denunciem imediatamente qualquer suspeita de violência doméstica, principalmente quando houver menores de idade envolvidos.

Além da responsabilização criminal dos agressores, a intervenção precoce pode evitar que episódios de agressão evoluam para lesões graves ou feminicídios, preservando a integridade física e emocional das vítimas.

 

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