Floração transforma a paisagem durante a seca em espetáculo da natureza
Entre os meses de julho e setembro, o Pantanal mato-grossense ganha novas cores. Durante o auge da estação seca e do inverno no país, a floração de diversas espécies nativas transforma a paisagem em um espetáculo de tons de rosa, amarelo, roxo e branco, que se destaca na paisagem mais ocre desse período.
Adaptadas às condições de calor e aos períodos de estiagem, as árvores apresentam flores de cores intensas, que atraem diferentes espécies de polinizadores em busca de néctar. A floração durante a estação seca é uma característica marcante e desempenha papel importante na manutenção do equilíbrio ecológico.
Conheça cinco árvores que se destacam pela beleza de suas flores e saiba onde observá-las no Pantanal:
Ipê-rosa ou piúva: Símbolo do Pantanal, o ipê-rosa, também conhecido regionalmente como piúva, colore a paisagem principalmente entre julho e o fim de agosto. De grande porte, a árvore se destaca durante a estação seca, quando perde as folhas e fica coberta por uma intensa floração em tons de rosa e roxo. O contraste das flores com a paisagem mais seca do Pantanal torna a espécie um dos principais destaques da flora regional.
Ipê-amarelo ou paratudo: Com suas flores amarelas, o ipê-amarelo cria um forte contraste com a paisagem típica da estação seca, especialmente entre agosto e setembro. Conhecido em Mato Grosso como paratudo ou ipê-amarelo-do-cerrado, é uma espécie comum tanto no Pantanal quanto no Cerrado. O nome popular está relacionado ao uso tradicional de partes da planta na medicina popular.
Louro-pardo: árvore nativa brasileira, a espécie é melífera e atrai grande quantidade de abelhas, borboletas e beija-flores em busca de néctar. A floração pode ocorrer entre maio e julho ou de abril a dezembro, contribuindo para diversificar a oferta de recursos florais ao longo do ano. Suas flores são pequenas, claras, tubulares e perfumadas.
Cambará: Majestoso e característico das áreas alagáveis do Pantanal, o cambará tem ampla distribuição em ambientes sujeitos a inundações. A árvore pode atingir até 18 metros de altura e possui copa frondosa, que oferece abrigo para diversas aves. Suas flores amarelas atraem beija-flores, abelhas e outros polinizadores em busca de néctar, enquanto as sementes são dispersas principalmente pelo vento e pela água.
No Pantanal, os cambarás podem formar extensos bosques, conhecidos como cambarazais, encontrados em matas ciliares, capões e áreas inundadas por rios, corixos e vazantes. Essas formações estão entre as paisagens mais características do bioma.
Tarumã: O tarumã é uma árvore de florada exuberante, marcada por pequenas flores lilases e aromáticas. Sua floração ocorre geralmente entre outubro e dezembro, período em que as flores, ricas em néctar, atraem abelhas e outros polinizadores. A polinização também pode ser realizada por mariposas, borboletas, pequenos insetos e beija-flores. Em geral, o tarumã floresce após um período em que permanece sem folhas, e as flores surgem acompanhadas da produção de novas folhas.
Onde observar
As espécies da flora pantaneira podem ser observadas durante passeios pelo Pantanal, inclusive em trechos de estradas-parque, como a Estrada Parque Porto Cercado, na MT-370, que liga o município de Poconé à região de Porto Cercado.
No entorno do Hotel Sesc Porto Cercado e do Parque Sesc Baía das Pedras, unidades do Polo Socioambiental Sesc Pantanal, é possível encontrar áreas onde espécies como ipês-rosas, ipês-amarelos e cambarás podem ser observadas, especialmente durante os períodos de floração.
Na Transpantaneira (MT-060), entre Poconé e Porto Jofre, também é possível avistar diferentes espécies da flora pantaneira ao longo do trajeto, que revela características marcantes do bioma.
A observação da flora é uma oportunidade de conhecer de perto a fauna e flora pantaneira e compreender a importância da conservação das espécies nativas para o equilíbrio do ecossistema e para toda a sociedade.
Conservação
O Polo Socioambiental Sesc Pantanal, iniciativa do Sistema CNC-Sesc-Senac, é composto por nove unidades que atuam do Cerrado ao Pantanal mato-grossense nas áreas de educação, cultura, lazer, saúde, assistência e sustentabilidade.
Dentre as nove unidades, três são áreas de conservação que, juntas, abrigam uma rica diversidade de fauna e flora e servem como campo para pesquisas científicas: a Reserva Particular do Patrimônio Natural, a RPPN Sesc Pantanal, com 108 mil hectares, e o Parque Sesc Baía das Pedras, com 5 mil hectares, ambos localizados no Pantanal, além do Parque Sesc Serra Azul, também com 5 mil hectares, no Cerrado mato-grossense.