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Médico diz que bebê enterrado não terá sequelas e considera caso como "propósito divino"
Por Denise Soares G1 MT
07/06/2018 - 15:10

Foto: G1MT

A índia recém-nascida – que foi resgatada depois de ser enterrada viva pela família indígena dela em Canarana, a 838 km de Cuiabá – está internada em estado grave na Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá.

Ela tem um quadro de infecção e insuficiência respiratória e está internada desde a noite de quara-feira (6) em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) neonatal.

A menina sobreviveu após ficar seis horas enterrada e foi resgatada na terça-feira (5) por policiais, que registraram o resgate em vídeo (veja logo abaixo).

A bisavó da menina, que está presa, disse à polícia que achou que a criança estivesse morta e que, por isso, a enterrou.

De acordo com o médico Ulisses do Prado, a criança pesa 2,420 gramas e o quadro de saúde, apesar de ser grave, é estável. A menina apresentou sangramento e passou por exames.

O médico diz que nunca tinha presenciado uma situação de uma pessoa sobreviver, sem sequelas, depois de tanto tempo sem oxigênio.

“Com certeza tem um propósito divino para que isso acontecesse com essa indígena”, disse o médico.

Um novo boletim médico deve ser divulgado na tarde desta quinta-feira (7). A surpresa, para os médicos, é que ela não teve sequelas graves mesmo depois de tantas horas enterrada.

“É o primeiro caso que vejo, cientificamente, sobre isso. Existem relatos de pacientes que passaram alguns minutos sem oxigênio e que tiveram sequelas. Mas, diante de todo esse tempo que ela ficou sem oxigênio e em um ambiente inóspito, isso pode trazer sequelas graves”, comentou o médico.

A partir dos exames os médicos devem avaliar se ela vai precisar de alguma intervenção cirúrgica.

“A explicação, para isso tudo, é alguma coisa divina. Já ouvimos relatos, mas alguém sobreviver a cinco, seis horas nessa situação, é a primeira vez”, declarou o médico.

Parto

A mãe da criança, de 15 anos, sentiu contrações e deu à luz no banheiro da casa. O bebê teria batido a cabeça no chão e não teve reação após o nascimento, segundo a família.

A história foi descoberta após uma denúncia anônima feita na Polícia Militar. A mãe da adolescente e a mãe do bebê foram ouvidas na delegacia e liberadas.

Prisão da bisavó e investigação

A Polícia Civil estima que a criança ficou enterrada por seis horas – entre as 14h e 20h de terça-feira em uma cova de 50 centímetros de profundidade.

A bisavó, Kutsamin Kamayura, de 57 anos, foi ouvida e alegou que a criança não chorou e, por isso, acreditou que estivesse morta.

Seguindo o costume da comunidade indígena, ela enterrou o corpo no quintal, sem comunicar os órgãos oficiais.

A bisavó da índia teve a prisão convertida em preventiva depois de passar por audiência de custódia nesta quarta-feira.

Na decisão, o juiz Darwin de Souza Pontes, da 1ª Vara de Canarana, a ordem pública como motivo para determinar a prisão preventiva de Kutsamin. Ela deve responder por tentativa de homicídio.

Ela foi encaminhada para a cadeia pública de Nova Xavantina, a 651 km de Cuiabá.

Segundo o delegado responsável pelo caso, Deuel Paixão de Santana, o suposto envolvimento da mãe e da avó da índia recém-nascida será apurado pela Polícia Civil de Mato Grosso.

“Temos 10 dias para concluir o inquérito. Vamos traçar uma linha de investigação para saber se houve participação da adolescente [mãe da bebê] e da avó. Até então, a única pessoa presa é a bisavó, que enterrou a criança”, disse ao G1.

 

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