O delegado titular da Delegacia Regional de Cáceres, Higo Rafael, afirmou nesta sexta-feira, 30 de janeiro, que 56 pessoas morreram no ano de 2025, só no município, em decorrência da guerra entre as facções criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC). Localizada a 217 km de Cuiabá, Cáceres fica a apenas 100 km da fronteira com a Bolívia e é uma das rotas do narcotráfico.
De acordo com o delegado, o crescimento das organizações criminosas é um fenômeno nacional, mas a disputa pelo poder e por território é mais acentuada nas regiões de fronteira.
"Aqui na nossa região, especialmente por se tratar de fronteira direta com a Bolívia, essa disputa ganha contornos estratégicos, pois o domínio territorial permite não apenas o controle local, mas a ampliação de horizontes criminais, sobretudo ligados ao tráfico de drogas, armas e à logística do crime organizado", declarou.
"Em relação aos dados objetivos, no ano de 2025 foram registrados 56 homicídios consumados. Desse total, 49 foram integralmente elucidados pela 1ª Delegacia de Polícia, o que representa um índice de resolutividade de aproximadamente 88%, um percentual expressivo, especialmente diante do cenário de conflito faccionado", emendou.
Em Cáceres, a guerra começou em 2022, quando o PCC percebeu que o município era parte essencial para a rota do tráfico de drogas internacional. A organização realizou diversos ataques, mas sem sucesso no dominíno do território.
Nos anos de 2023 e 2024 foram intensificados os trabalhos de segurança pública e várias operações policiais foram deflagradas para conter a escalada da violência. Por conta dessas operações, as organizações chegaram a estabelecer uma trégua, mas isso durou pouco.
Higo Rafael destacou que a atuação forte do Programa Toerância Zero tem dado resultado e que os trabalhos continuarão a fim de erradicar a atuação do crime organizado no município e em todo o estado.
"As forças de segurança têm atuado de forma integrada e contínua, com foco na repressão qualificada, identificação de lideranças e desarticulação das estruturas criminosas, justamente para conter esse avanço e preservar a ordem pública", concluiu.