O aumento de casos de sífilis congênita (Doença Sexualmente Transmissível), estaria colapsado as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal, nos hospitais de Cáceres, ao ponto de faltar vagas para novas internações de recém-nascidos, no setor de pediatria, colocando em risco a saúde materno/infantil no município. Secretário de Saúde, Cláudio Henrique Donatoni diz que está tomando providências.
A revelação foi feita pela vereadora Elis Enfermeira (PL), através de indicação apresentada na abertura do ano legislativo, na manhã de hoje, na Câmara Municipal, assinalando que o aumento da infecção decorre nos últimos 12 meses e tem preocupado profissionais de saúde. Elis diz que as denúncias chegaram até ela através de médicos e enfermeiros que atendem nas unidades de terapia intensiva do município.
“Os profissionais de saúde estão preocupados porque existe um protocolo que estabelece que todos os recém-nascidos, que estejam contaminados com a doença, devem permanecer internados, na UTI-Neonatal, durante 10 dias. E, isso, estaria colapsando o setor. Hoje não existe vagas para internações porque as UTIs Neonatal estão lotadas com recém-nascidos com sífilis” afirma.
A vereadora assinala que a Sífilis Congênita é uma infecção evitável, desde que haja diagnóstico precoce, investigação adequada e tratamento oportuno durante o pré-natal, conforme preconizam os protocolos do Ministério da Saúde. No entanto, conforme a vereadora, isso não existe nas Unidades de Saúde Infantil de Cáceres.
“A atenção básica precisa ser fortalecida. Não adianta o município investir milhões na atenção de média e alta complexidade se a atenção básica não está sendo vista. Se você chega em um posto de saúde não tem um pré-natal adequado; não tem médico e não tem atendimento. Como a gente vai ficar olhando e recebendo essas denúncias é não tomar uma atitude completa?” indaga.
Diante dessa situação a vereadora indica “a implementação imediata de ações estratégicas de controle e prevenção da Sífilis, com ênfase na Atenção Primária à Saúde; revisão e fortalecimento dos fluxos de atendimento do pré-natal, assegurando diagnóstico oportuno, tratamento adequado das gestantes e de seus parceiros, e o devido acompanhamento clínico.
Ainda a realização de capacitações periódicas das equipes de saúde, especialmente da Atenção Básica, quanto ao manejo da Sífilis adquirida, gestacional e congênita; a execução dessas ações de forma articulada com o Escritório Regional de Saúde de Cáceres, com abrangência da Região Oeste, garantindo alinhamento técnico e fortalecimento das estratégias regionais;
E, o monitoramento contínuo dos indicadores e a ampla divulgação das ações implementadas, assegurando transparência e efetividade das políticas públicas de saúde.
Secretário diz que já está tomando providências
Em contato com o site, o secretário municipal de Saúde, Cláudio Henrique Donatoni, informou que “a secretaria recebeu a informação da vereadora sobre o fato. E, na semana passada, se reuniu com os profissionais responsáveis pela Atenção Básica, oportunidade em que informou a vereadora de que a secretaria não recebeu nenhum documento oficial sobre o crescente número de casos de sífilis recém-nascidos”
No que se refere a ausência de médicos em várias unidades de saúde, conforme a vereadora, Cláudio Henrique disse que “hoje estamos com todas as unidades básicas de saúde com profissionais médicos atendendo. Logicamente que algumas unidades da zona rural ou distritos, não temos médicos todos os dias, mas temos equipes de enfermeiros que correspondem com o volume de atendimento. Não dá para colocar médico todos os dias nesses locais sem demanda. Mas em todas as unidades temos sim profissionais médicos atendendo”