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VIOLÊNCIA DE GÊNERO - Suposta lista de alunas 'estupráveis' gera revolta na UFMT
Por Diário de Cuiabá
07/05/2026 - 09:37

O fato gerou indignação dentro do campus universitário e reacendeu o debate sobre a cultura redpill, a misoginia e violência de gênero — Foto: Diário de Cuiabá

Estudantes da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá, planejavam criar uma “lista de estupráveis”.

Com isso, eles classificavam calouras ou ingressantes com termos relacionados a estupro e troca de mensagens com declarações explícitas sobre a intenção de assediar colegas de sala.

O fato gerou indignação dentro do campus universitário e reacendeu o debate sobre a cultura redpill, a misoginia e violência de gênero na sociedade, especialmente, dentro do ambiente universitário.

A UFMT instaurou um procedimento administrativo disciplinar (PAD) para apurar o caso.

A denúncia consta em nota de repúdio do Centro Acadêmico de Direito “VIII de Abril” (Cadi), aprovada por maioria absoluta em assembleia-geral, realizada no dai 4 passado e que condena o conteúdo das mensagens.

A entidade estudantil garante acompanhar o caso com as autoridades competentes, a apuração dos fatos e a identificação dos envolvidos.

Também provocou medo e revolta entre estudantes, principalmente as mulheres, que passaram a cobrar investigação rigorosa.

Nas redes sociais do centro, internautas se diziam “chocados” e pediam a identificação e a expulsão dos envolvidos.

De acordo com o documento, os registros de conversas em aplicativos de mensagens nas quais estudantes de direito e de outros cursos da universidade planejavam elaborar a lista surgiram nas últimas semanas e se espalharam rapidamente pela comunidade acadêmica

“Fica evidente que a conduta, extremamente grave, de caráter misógino e violento, é absolutamente incompatível com qualquer parâmetro ético, jurídico e humano”, diz a nota.

Para a entidade estudantil, a situação não pode ser tratada como brincadeira nem relativizada.

“Pelo contrário, configuram a banalização da violência sexual e a objetificação de mulheres, reforçando uma cultura que historicamente legitima práticas de violência de gênero”, acrescenta.

A nota cita ainda relatos recentes de assédio na universidade e menciona o caso da estudante Solange Sobrinho, vítima de estupro e assassinato dentro do próprio campus no ano passado, evidenciando a gravidade da violência de gênero no espaço universitário.

“É inadmissível que, no âmbito de um curso de direito - cuja formação está intrinsicamente vinculada à defesa da dignidade da pessoa humana, da igualdade e dos direitos fundamentais – ocorram episódios dessa natureza”, lamenta.

Por meio de nota, a instituição manifestou que repudia a violência, misoginia e violação de direitos humanos na comunidade acadêmica e que já foram adotadas providências, como a instauração de procedimento administrativo disciplinar para apuração dos fatos e responsabilização dos envolvidos.

Também em nota, a Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional Mato Grosso (OAB-MT) expressou veemente repúdio à conduta misógina de um grupo de estudantes de direito e outros cursos da UFMT, pediu apuração dos fatos e celeridade na responsabilização dos envolvidos.

“Essa postura além de expor universitárias a toda essa violência, que no dia a dia atinge de forma ostensiva às mulheres, não condiz com aqueles que optam pela missão de ser um agente do sistema de Justiça”, diz.

“A OAB-MT se solidariza com as estudantes e se coloca à disposição para todo apoio que precisarem”, completou.

Em situações de violência contra a mulher, é possível pedir ajuda pelo disque 180 (Central de Atendimento à Mulher) ou pelo 190 da Polícia Militar (PM).

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