A violência contra mulheres não para de crescer em Mato Grosso.
Na quinta-feira (7), Elzilene Alves do Nascimento, 49 anos, foi encontrada morta em uma região de mata, no bairro Santa Isabel, em Várzea Grande.
Ela estava desaparecida desde a madrugada de terça-feira (5).
Este é o segundo feminicídio registrado em cerca de quatro dias. E o 15º do ano, no Estado.
O marido dela, Francisco Carlos Pereira da Silva, 67, procurou a Delegacia de Defesa da Mulher e Vulneráveis 24 Horas da cidade, às 3 horas da madrugada de quinta-feira (7), para confessar o crime, o primeiro caso da nova sede da unidade policial, que foi inaugurada na noite anterior (6).
Após a confissão, a Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) foi acionada e assumiu o caso. O suspeito relatou ao delegado Rogério Gomes que cometeu o feminicídio na terça, por volta das 4 horas, e alegou que a motivação seria uma suposta traição.
Francisco da Silva teria recebido, no último sábado (2), um vídeo em que a esposa aparecia supostamente o traindo. A gravação foi enviada por uma pessoa desconhecida. Ele, então, passou a planejar o crime e chamou a mulher para dar uma volta. O celular foi apreendido para perícia.
A suspeita é de que ela tenha sido morta com ao menos 10 facadas no mesmo local onde o corpo foi localizado. Os golpes atingiram o peito, costas e mãos e braços. Depois, o suspeito arrastou o corpo por cerca de 10 metros e o escondeu em um pequeno córrego.
Na noite do mesmo dia, após pressão dos filhos da vítima, que estavam desconfiados dele, o suspeito registrou um boletim de ocorrência comunicando o desaparecimento da esposa na tentativa de despistar a polícia.
Detido, ele confessou o feminicídio espontaneamente, assim como o local em que havia escondido o corpo da vítima. Conforme o delegado Rogério Gomes, apesar de afirmar estar arrependido, o suspeito demonstrou frieza ao relatar os detalhes do assassinato durante interrogatório.
Em relato à polícia, o suspeito afirmou que Elzilene do Nascimento chegou a pedir perdão, mas acabou sendo agredida, arrastada para o matagal e esfaqueada até morrer. A vítima não possuía medida protetiva contra o suspeito.
Este é o 15º feminicídio registrado neste ano em Mato Grosso.
Dados do Sistema Nacional de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) mostram que, somente no primeiro trimestre de 2026, o Estado registra um aumento de 42,86% (10 mortes) deste tipo de crime praticado contra mulheres comparado ao mesmo período de 2025, com 7 casos.
OUTRO FEMINICÍDIO - Em Cuiabá, Nilza Moura de Souza Antunes, 64 anos, foi morta pelo marido, Jackson Pinto da Silva, 38.
O corpo foi encontrado enterrado no quintal de uma casa, que fica no bairro Parque Cuiabá, na terça-feira (5).
Jackson da Silva foi preso no local e confessou o crime à polícia.
O corpo da vítima enterrado em um buraco para fossa, de pelo menos 2 metros de profundidade no quintal da casa.
O casal não morava no local, mas a vítima era a proprietária do imóvel. As investigações apontam que ele pretendia ficar com o patrimônio dela.
HOMICÍDIO DOLOSO - A estudante de direito Valeria Araújo Côrrea, 28 anos, foi encontrada morta em uma quitinete, em Tangará da Serra (242 km ao Noroeste de Cuiabá), na noite de quarta-feira (6).
A vítima foi localizada após familiares não conseguirem contato com ela.
Conforme boletim de ocorrência, diante da falta de comunicação, um amigo da família foi até á casa e encontrou o imóvel trancado e foi necessário forçar a entrada no local.
Valeria Côrrea foi encontrada caída no quarto da residência, com diversas lesões provocadas por arma branca.
O corpo estava enrolado em lençóis e cobertas. Ela também estava com as mãos e os pés amarrados.
Ainda, segundo boletim, um celular, um tablet e a bicicleta da vítima não foram encontrados no local.
O crime é tratado como homicídio doloso. Os casos seguem sendo investigados pela Polícia Civil.
DENÚNCIA - Se você vive ou conhece alguém em situação de violência, procure ajuda.
Não ignore. Denuncie e ligue 180 (24 horas, gratuito e anônimo).
Em situações de emergência, disque 190 (Polícia Militar).
Já a Delegacia de Defesa da Mulher e Vulneráveis 24h de Várzea Grande, fica na Avenida Senador Filinto Müller, nº 2225, no bairro Centro-Norte, com atendimento ininterrupto.