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Maio Amarelo: o que seus filhos aprendem sobre comportamento enquanto você dirige
Por Assessoria
15/05/2026 - 09:18

Foto: Key Press Comunicação

Buzinar com agressividade, xingar outro motorista, atravessar no sinal “só porque está vazio”, responder mensagens ao volante ou acelerar além do permitido. Atitudes comuns no trânsito parecem inofensivas para muitos adultos, mas podem ensinar aos seus filhos exatamente como agir diante de regras, frustrações e conflitos.
No mês do Maio Amarelo, campanha internacional de conscientização para redução de acidentes no trânsito, especialistas chamam atenção para um aspecto pouco discutido: o carro também é um espaço de formação emocional e comportamental dos filhos.

“A criança aprende muito mais pelo que observa do que pelo que escuta. Não adianta dizer que é importante respeitar regras se, na prática, os pais agem de forma impulsiva, agressiva ou irresponsável no trânsito”, explica o psicólogo Filipe Colombini, especialista em parentalidade.

Segundo ele, o trânsito funciona como uma verdadeira sala de aula emocional. É ali que os filhos observam como os adultos lidam com limites, contrariedades, pressa, raiva e convivência coletiva.

Crianças absorvem tudo, inclusive o comportamento no trânsito
Mesmo pequenas, os pequenos registram padrões de comportamento constantemente. E isso inclui as reações dos pais dentro do carro.

“Quando um adulto perde o controle no trânsito, grita ou desrespeita regras, a criança entende que esse é um comportamento aceitável diante do estresse. Ela aprende pelo exemplo, não pelo discurso”, afirma Colombini.

O especialista destaca que situações aparentemente banais podem gerar impactos profundos na construção de valores futuros. O uso do celular ao volante, ultrapassagens perigosas, excesso de velocidade, desrespeito à sinalização, impaciência diante de congestionamentos e até discussões agressivas no trânsito acabam transmitindo mensagens importantes sobre empatia, tolerância, respeito ao outro e controle emocional.

“Tudo isso comunica para a criança como os adultos lidam com o mundo e com as pessoas ao redor. Sem perceber, os pais estão ensinando diariamente o que consideram aceitável ou não em situações de pressão”, acrescenta.

O trânsito revela quem somos dentro de casa
Mais do que um espaço de deslocamento, o trânsito costuma revelar aspectos emocionais que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano familiar.

“A forma como os pais dirigem mostra aos filhos como eles lidam com frustração, autoridade e convivência social. O carro vira um ambiente onde a criança presencia reações muito espontâneas dos adultos”, explica o psicólogo.

Segundo Colombini, crianças expostas com frequência a comportamentos agressivos no trânsito podem naturalizar respostas impulsivas em outras áreas da vida, como escola, amizades e relações futuras.

Educação no trânsito começa muito antes da autoescola
Para o especialista, ensinar segurança no trânsito vai muito além de falar sobre faixa de pedestre ou cinto de segurança. A construção dessa consciência começa desde cedo, nas atitudes cotidianas observadas dentro da família.

Esperar o pedestre atravessar, respeitar limites de velocidade, manter a calma diante de imprevistos e agir com civilidade no trânsito são comportamentos que ajudam a formar adultos mais conscientes e empáticos.

“Os filhos não aprendem apenas a dirigir. Eles aprendem a conviver em sociedade observando os pais”, reforça Colombini.

Um exemplo que pode salvar vidas. E formar adultos melhores
Em um país onde o trânsito ainda mata milhares de pessoas todos os anos, o exemplo dado dentro do carro pode ter um impacto muito maior do que parece.

“Educar no trânsito é também educar emocionalmente. Quando os pais demonstram respeito, responsabilidade e autocontrole ao volante, estão ensinando valores que acompanham os filhos pela vida inteira”, finaliza o especialista.

Mais sobre Filipe Colombini: psicólogo, fundador e CEO da Equipe AT, empresa com foco em Acompanhamento Terapêutico (AT) e atendimento fora do consultório, que atua em São Paulo (SP) desde 2012. Especialista em orientação parental e atendimento de crianças, jovens e adultos. Especialista em Clínica Analítico-Comportamental. Mestre em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Professor do Curso de Acompanhamento Terapêutico do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas – Instituto de Psiquiatria Hospital das Clínicas (GREA-IPq-HCFMUSP). Professor e Coordenador acadêmico do Aprimoramento em AT da Equipe AT. Formação em Psicoterapia Baseada em Evidências, Acompanhamento Terapêutico, Terapia Infantil, Desenvolvimento Atípico e Abuso de Substâncias. 

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