Em 1667, o médico francês Jean-Baptiste Denys realizou a primeira transfusão de sangue documentada no mundo. O doador? Uma ovelha. O receptor? Um menino de 15 anos. A experiência, arriscada para a época, abriu caminho para o que hoje é um gesto simples e seguro que salva milhares de vidas todos os dias: a doação de sangue. Foi com essa curiosidade histórica que a médica hematologista e hemoterapeuta Maíra Borela, coordenadora do banco de sangue do Hospital Regional de Cáceres, abriu a palestra sobre a importância da doação de sangue realizada na manhã desta terça-feira (23/06) na Câmara Municipal. O evento, promovido pela Escola do Legislativo, foi direcionado aos servidores da Casa e faz parte da campanha do Junho Vermelho, mês de conscientização sobre o tema.
Por que doar sangue?
A médica explicou que o sangue não pode ser fabricado em laboratório. Tudo o que os pacientes precisam – em cirurgias, acidentes, tratamentos de câncer, doenças hematológicas como a anemia falciforme, ou hemorragias pós-parto, uma das principais causas de morte materna – só pode ser obtido por meio de doações.
Os estoques precisam ser constantemente renovados. Mesmo em emergências de grande porte, bolsas são utilizadas diariamente e outras vencem com o tempo.
Quem precisa?
- Vítimas de acidentes;
- Pacientes em tratamento de câncer;
- Crianças com anemia falciforme, que precisam atravessar mais de um mês com crises intensas de dor;
- Pessoas com doenças hemorrágicas;
- Mulheres com hemorragia no parto.
O tipo sanguíneo e o doador universal
A médica destacou que o sangue O negativo é considerado doador universal, ou seja, pode doar para todos os outros tipos sanguíneos. Mas quem tem O negativo só pode receber sangue de O negativo. E apenas 9% da população brasileira possui esse tipo sanguíneo.
Quem pode e quem não pode doar

Podem doar pessoas saudáveis, com idades dentre 16 a 69 anos, que não estejam gripadas, com febre ou infecções ativas. Ter no mínimo 50 quilos. Ter dormindo ao mesno seis horas e não estar em jejum. A médica palestrante também ressaltou que é recomendado evitar comer alimentos gordurosos quatro horas antes de fazer a doação. "Também é necessário estar há pelo menos 12 horas sem ingerir álcool. Mulheres grávidas ou no pós-parto não podem doar. Quem já teve hepatite B (mesmo na infância) ou câncer (com exceção do câncer de pele) também está impedido", acrescentou a especialista.
A recomendação é procurar o banco de sangue para uma triagem detalhada, com perguntas e exames que identificam possíveis infecções.
Mitos e verdades
A doutora Maíra Borela também esclareceu dúvidas comuns:
- Doar sangue não "afina" o sangue. A quantidade coletada é de apenas 450 ml – menos de 10% do volume total do corpo, que tem cerca de 5 litros. Em menos de 24 horas, o organismo recupera boa parte do volume.
- Não engorda nem emagrece e não interfere no metabolismo.
- Não há risco de contaminação. Todo o material utilizado é descartável e estéril.
- A pessoa não fica fraca por muito tempo. O processo é rápido.
Como funciona a doação?
A medica explica que o procedimento em si dura cerca de 10 minutos. O processo completo – cadastro, triagem (incluindo teste de hemoglobina para verificar anemia), entrevista sigilosa, coleta e lanche – não costuma passar de uma hora. A orientação é hidratar-se bem antes e depois da doação.
Dúvidas frequentes

Durante a palestras, os servidores fizeram perguntas que costumam ser dúvidas frequentes sobre doação de sague. Uma delas é se a mulher, em período mestrual, pode doar?
Borella respondeu que sim. "Isse é uma dúvida muito frequente. A mulher que está menstruada não impede de doar. Ela pode doar no período menstrual ou não período em que ele não estiver menstruada", enfatizou.
Outra pergunta foi se quem tomou vacina poder doar. Borela disse que depende. A vacina contra febre amarela, por exemplo, a pessoa deve esperar quatro semanas para doar sangue, quem vacinou contra tétano, 48 horas;
O banco de sangue de Cáceres
A unidade de coleta fica dentro do Hospital Regional e atende cerca de 400 mil pessoas da região oeste de Mato Grosso, abrangendo 22 municípios.A unidade de coleta funciona das 7h às 11h e das 13h às 18h. De segunda à sexta, e no último sábado de cada mês.
Como ajudar?

A médica deixou um convite: organize grupos de doadores, incentive familiares e amigos, divulgue campanhas nas redes sociais e compartilhe a informação. "Um gesto rápido – de pouco mais de uma hora – pode salvar uma vida inteira", destacou Borella.