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Menos felizes, um em cada cinco jovens brasileiros diz não ter com quem contar
Por Edilson Almeida/RDM
12/07/2026 - 18:13

Foto: Metrópoles

O BRASIL DA FELICIDADE

Uma série baseada no Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026 para entender o que faz os brasileiros felizes — e por que algumas gerações estão perdendo essa sensação.

 

Enquanto 89% dos brasileiros afirmam ser felizes, a geração mais jovem apresenta uma realidade menos positiva. Entre as pessoas de 16 a 24 anos, 81% se consideram felizes, o menor percentual entre as faixas etárias pesquisadas. Entre os brasileiros com mais de 60 anos, o índice chega a 95%.

A diferença também aparece quando os entrevistados avaliam a própria vida. Apenas 33% dos jovens dizem estar muito satisfeitos, diante de 47,9% entre as pessoas com mais de 60 anos.

Para a pesquisadora Renata Rivetti, responsável pelo levantamento, o resultado acende um alerta sobre a geração que assumirá responsabilidades econômicas, sociais e políticas nas próximas décadas.

“A geração que vai liderar, empreender e conduzir o país nas próximas décadas é, hoje, a mais infeliz entre todas as faixas etárias”.

 

Renata RivettiOs dados fazem parte do Mapa da Felicidade Real no Brasil 2026, pesquisa conduzida por Rivetti em parceria com o Instituto Ideia. O levantamento ouviu 1.500 pessoas de todas as regiões do país entre 20 de fevereiro e 1º de março. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%. (NDMais)

O dado mais preocupante está relacionado às redes de apoio. Entre os brasileiros de 16 a 24 anos, 21% afirmam não ter parentes ou amigos a quem recorrer em um momento difícil.

Na população geral, 12% relatam não contar com uma rede de apoio. Entre as pessoas com mais de 60 anos, por outro lado, 93,8% dizem possuir alguém a quem recorrer.

A diferença mostra que estar permanentemente conectado não significa necessariamente sentir-se amparado. A ausência de vínculos sólidos convive com dificuldades econômicas, jornadas desgastantes e maior exposição à comparação nas plataformas digitais.

Rivetti destaca que as relações pessoais permanecem centrais para a percepção de bem-estar.

“Nossa felicidade tem sido impactada pelas relações sociais. Elas continuam sendo o maior preditor de uma vida feliz”, afirma a pesquisadora.

Quase metade dos jovens, 46,7%, afirma que o trabalho contribui para aumentar sua infelicidade. Entre os brasileiros acima de 25 anos, o percentual cai para 20,5%. A diferença também aparece na satisfação profissional. Apenas 53,3% dos jovens dizem ser felizes no trabalho, enquanto entre os brasileiros com mais de 60 anos o índice chega a 87,3%.

Sobrecarga, remuneração insuficiente, problemas de liderança e falta de reconhecimento aparecem entre os fatores relacionados ao descontentamento profissional. Os resultados sugerem que muitos jovens chegam ao mercado de trabalho em condições que dificultam a construção de autonomia, estabilidade e projetos de longo prazo.

O ambiente digital representa outra fonte de pressão. Entre os jovens entrevistados, 77% afirmam já ter comparado a própria vida com a de outras pessoas nas redes sociais.

Além disso, 71,1% relatam já ter se sentido tristes após consumir conteúdos nessas plataformas, enquanto 63,4% dizem perceber algum grau de dependência das telas.

A pesquisa identifica uma associação entre comparação digital e menor bem-estar, mas não permite afirmar que as redes sociais sejam, isoladamente, a causa da infelicidade.

O cenário reúne diferentes fatores: relações pessoais mais frágeis, frustração profissional, insegurança econômica e exposição constante a imagens idealizadas da vida de outras pessoas.

Apesar das dificuldades, o levantamento mostra que 89% dos brasileiros ainda se consideram felizes. Ao mesmo tempo, 46% afirmam ter sentido preocupação no dia anterior à entrevista, 33% convivem frequentemente com ansiedade e 29% relatam estresse recorrente.

O contraste indica que felicidade e sofrimento podem coexistir. No Brasil, a percepção de bem-estar está fortemente apoiada na família, nas amizades, na espiritualidade e no sentimento de pertencimento.

É justamente a fragilidade desses vínculos que ajuda a explicar por que os jovens aparecem como o grupo menos feliz do país.

Como resume Renata Rivetti, estudar felicidade no Brasil exige observar não apenas os índices gerais, mas também os ambientes em que o bem-estar se fortalece ou começa a desaparecer:

“Produzir uma pesquisa brasileira sobre felicidade significa perguntar como ela é vivida no Brasil de hoje, em que contextos ela se fortalece e em quais começa a se fragilizar.”

 

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