A operação chegou a ser apontada como a possível maior apreensão de cocaína da história do Brasil
Uma apreensão de 260 toneladas de madeira pela Receita Federal, em junho, expôs de vez a irritação da Polícia Federal com o órgão.
O motivo é suspeita de que a carga esconderia uma carga de cocaína. Seria, quando nada, a maior apreensão da droga, nos últimos tempos.
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A polêmica carga foi retida durante a Operação Timber Shield, nas cidades de Corumbá (MS) e Cáceres (225 km a Oeste de Cuiabá).
A coluna "Painel", da Folha de S. Paulo, revelou que laudos da PF constaram que não havia presença da droga.
Para a cúpula da PF, a avaliação é que há uma clara violação de competências por parte da Receita, já que as investigações sobre o tráfico internacional de drogas são de competência exclusiva da corporação.
Segundo o jornal, o clima, que já não era bom, azedou quando a RF deflagrou a operação, em cooperação com autoridades dos Estados Unidos e da Bolívia.
Na época, o órgão divulgou a operação como a maior do país.
O material foi para a perícia e os laudos da PF mostraram que não havia presença de cocaína no material.
Por isso, a corporação abriu um inquérito para investigar as circunstâncias que levaram à retenção da carga.
Integrantes da cúpula da PF criticam a tentativa da Receita de "usurpar funções".
Também afirmam, sob reserva, que a prática, além de ser crime, pode anular grandes operações.
Além disso, lembram que muitas delas acabam atrapalhando os trabalhos da PF.
A Folha lembra que a iritação não é de hoje.
Em maio, a PF abriu inquéritos para apurar a conduta de auditores da Receita Federal nas gravações de um programa sobre o trabalho feito pelo órgão nos aeroportos do país.