O ex-prefeito de Pontes e Lacerda e candidato a deputado estadual Alcino Barcelos (PL) se manifestou nesta sexta-feira (25) sobre a operação do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), do Ministério Público de Mato Grosso, que cumpriu 12 ordens judiciais contra agentes públicos e empresários no município.
Em um vídeo publicado durante o retorno a Pontes e Lacerda, Alcino criticou a realização da operação às vésperas das eleições e questionou o momento escolhido para o cumprimento das medidas.
“Hoje cedo a polícia foi na minha casa, faltando dez dias pra eleição”, afirmou. Na sequência, o ex-prefeito questionou por que a ação não teria ocorrido antes e disse considerar que está sendo utilizada a Justiça “pra fazer injustiça”.
Alcino também comentou sobre os objetos encontrados durante as buscas. Segundo ele, uma arma antiga, que teria sido presente de seu pai, estava guardada em sua residência sem munição. O ex-prefeito também afirmou que havia dinheiro em seu quarto e negou que estivesse escondido.
“Isso é política”, declarou Alcino no vídeo. Ele também comparou a situação envolvendo seu nome ao que, segundo sua avaliação, ocorre com o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Críticas à investigação
Durante a manifestação, Alcino afirmou que nunca teria sido ouvido em um processo relacionado ao caso e disse não ter processo contra ele. Também defendeu a empresa Concretubos Pré-Moldados Ltda., citada na investigação do Naco.
“Eu tenho pena mesmo, sabe de quem? Da Concretubos. Uma empresa pequena, que sempre participou de pregão”, afirmou.
Segundo o Ministério Público, a investigação apura suspeitas de fraude em licitações, lavagem de dinheiro e associação criminosa em contratos da Prefeitura de Pontes e Lacerda entre 2017 e 2024. O Naco identificou sete contratos entre o município e a empresa, sendo cinco deles firmados entre 2022 e 2023, com valores que chegaram a R$ 5,78 milhões após atualização monetária.
A investigação também apura movimentações financeiras consideradas suspeitas e a compra de uma propriedade rural pelo ex-prefeito, em uma negociação que teria previsto o pagamento com 100 cabeças de gado. Segundo o Naco, não foram encontrados registros oficiais de movimentação pecuária compatíveis com a transação.
As medidas judiciais incluem buscas e apreensões, acesso a dados telemáticos, quebra de sigilos bancário, fiscal e financeiro, além de indisponibilidade de bens, direitos e valores.
As acusações e suspeitas permanecem sob investigação e não representam, por si só, comprovação de crime ou responsabilidade dos investigados.
A operação contou com apoio da Polícia Civil e da Controladoria-Geral do Estado.