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SISTEMA PROPORCIONAL - Três candidatos superam deputado eleito, mas ficam sem vaga na Câmara
Por Marcos Lemos/Diário de Cuiabá
06/10/2026 - 14:29

Foto: reprodução

Nilson Leitão recebeu 61,9 mil votos e ficou na oitava posição entre todos os candidatos, mas não conseguiu mandato; Irajá Lacerda e Emanuelzinho também tiveram mais votos que Coronel Roveri e ficaram fora da bancada de MT

As eleições de 2026 produziram na disputa pelas oito cadeiras de Mato Grosso na Câmara dos Deputados uma situação semelhante à registrada na Assembleia Legislativa: ter mais votos individualmente não significou necessariamente conquistar um mandato. Três candidatos que ficaram de fora receberam mais votos que pelo menos um dos deputados federais eleitos.

O caso mais emblemático é o do ex-deputado federal Nilson Leitão (PP). Ele recebeu 61.904 votos e terminou na oitava colocação no ranking geral de votação nominal. Se as oito vagas destinadas a Mato Grosso fossem preenchidas exclusivamente pelos candidatos mais votados, Leitão estaria de volta à Câmara.

Não foi o que aconteceu.

Também ficaram sem mandato Irajá Lacerda (PSD), com 57.887 votos, e Emanuelzinho (PSD), com 50.951. Eles ocuparam, respectivamente, a nona e a décima posições entre os candidatos mais votados do Estado.

Os três tiveram desempenho superior ao de Coronel Roveri (Podemos), eleito com 47.195 votos e dono da menor votação nominal entre os oito novos representantes de Mato Grosso.

No caso de Nilson Leitão, a diferença chegou a 14.709 votos: ele recebeu 61.904, contra 47.195 de Roveri.

LEITÃO É O OITAVO MAIS VOTADO

A situação de Nilson Leitão é a que mais chama atenção porque o candidato aparece exatamente na oitava colocação na lista geral de votos, número equivalente às vagas disponíveis para Mato Grosso.

A eleição para deputado federal, entretanto, não é majoritária. Isso significa que as cadeiras não são simplesmente entregues aos oito candidatos individualmente mais votados.

Leitão disputou pela Federação União Progressista. Dentro do grupo, ficou atrás de Fábio Garcia (União Brasil), que recebeu 139.777 votos, e Virginia Mendes (União Brasil), com 102.120. O desempenho eleitoral da chapa e as regras de distribuição das cadeiras impediram que a votação de Leitão fosse convertida em mandato.

Situação diferente ocorreu com Coronel Roveri. Embora tenha recebido menos votos individualmente, o desempenho do Podemos permitiu que a legenda conquistasse uma cadeira, ocupada por ele como o candidato mais votado do partido.

PSD FICA SEM CADEIRA

O resultado também penalizou dois candidatos do PSD.

Irajá Lacerda conquistou 57.887 votos e Emanuelzinho chegou a 50.951. Ambos superaram Roveri na votação individual, mas o PSD não conseguiu transformar seu desempenho eleitoral em uma das oito vagas destinadas ao Estado.

Com isso, Irajá terminou como o nono candidato mais votado de Mato Grosso e Emanuelzinho, como o décimo, mas nenhum dos dois integrará a bancada que toma posse em fevereiro de 2027.

QUEM FOI ELEITO

A maior votação para deputado federal foi de Coronel Fernanda (PL), com 205.064 votos. Professora Rosa Neide (PT) ficou em segundo lugar, com 140.351, seguida por Fábio Garcia (União Brasil), com 139.777.

Também foram eleitos Coronel Assis (PL), com 128.697 votos; Virginia Mendes (União Brasil), 102.120; Juarez Costa (Republicanos), 83.728; Thiago Boava Hey Roy (PL), 72.375; e Coronel Roveri (Podemos), com 47.195.

A nova bancada terá, portanto, três representantes do PL, dois do União Brasil e um de PT, Republicanos e Podemos.

POR QUE MAIS VOTOS NÃO GARANTEM MANDATO?

A explicação está no sistema proporcional utilizado nas eleições para a Câmara dos Deputados.

Os votos dados aos candidatos e às legendas são considerados para definir a quantidade de cadeiras conquistadas por cada partido ou federação. Somente depois dessa distribuição é que as vagas são preenchidas pelos candidatos mais votados dentro de cada grupo, respeitando as demais exigências previstas pela legislação eleitoral.

É por isso que o ranking dos oito candidatos mais votados não corresponde necessariamente à lista dos oito deputados eleitos.

O resultado de 2026 oferece um exemplo claro: Nilson Leitão foi o oitavo candidato mais votado de Mato Grosso, mas ficou sem cadeira, enquanto Coronel Roveri, que aparece atrás dele, de Irajá Lacerda e de Emanuelzinho na votação nominal, garantiu uma vaga.

Na eleição proporcional, portanto, o candidato depende de seus próprios votos, mas também do desempenho coletivo de seu partido ou federação. E, desta vez, essa matemática deixou três candidatos com mais votos do lado de fora da Câmara.

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