Documentário:Entre Brasil e Bolívia
Por Diário de Cuiabá/Ilustrado
14/04/2012 - 22:02

O jornalista e documentarista mato-grossense, Aluízio de Azevedo, foi um dos 15 vencedores do projeto Etnodoc 2011 – Edital de apoio a documentários etnográficos sobre patrimônio cultural imaterial. O resultado da premiação foi publicado no site do projeto nesta semana. Aluízio Azevedo concorreu com outras 897 iniciativas de todo país. O projeto aprovado conquistou o patrocínio da Petrobras no valor de R$ 79 mil. O objetivo é a documentação e difusão do Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro por meio do apoio à produção de documentários inéditos para exibição em TVs públicas. Patrocinada pela Petrobras, a iniciativa visa fomentar o registro, divulgação e difusão da diversidade cultural brasileira e seu patrimônio imaterial. Agora, o jornalista terá sete meses para executar o roteiro denominado “De Fronte”. O documentário evidencia as relações humanas na fronteira Brasil-Bolívia, especialmente recortada entre as cidades de Cáceres e San Matias. O vídeo pretende mostrar como ocorre essa intrincada tessitura entre os grupos diversos que convivem e habitam no mesmo espaço: o fronteiriço. E retratar especialmente como ocorrem as negociações e conflitos entre os grupos chiquitanos, indígenas (na Bolívia Pueblos Tradicionales) que historicamente habitam o lugar antes mesmo da atual fronteira e do Brasil e Bolívia serem Brasil e Bolívia delimitados geograficamente como conhecemos hoje. O DC ilustrado conversou exclusivamente com o jornalista e documentarista Aluízio Azevedo sobre esse projeto. Confira o ‘bate-bola’, ou melhor, o bate papo: O documentário terá 26 minutos. Já tem título? Então, o título inicial do roteiro é “De Fronte”. Mas, você sabe quando a gente faz inicialmente temos uma ideia, as vezes podemos chegar até o final com a mesma ideia e, as vezes no meio do caminho surge outro nome. Por enquanto é este, mas se pintar algo melhor estou aberto. Sobre o que irá abordar o documentário? A ideia é realizar registro audiovisual percorrendo de carro, a pé, de ônibus e outros meios de transportes pelas estradas e trilhas que ligam Mato Grosso e a Bolívia. Nosso trajeto passa no microcosmo dos municípios de Cáceres e Porto Espiridião (Mato Grosso) e Santana e San Matias (Bolívia), além de comunidades e destacamentos militares localizados na fronteira. Neste lugar de passagem, refúgio de contrabandistas, traficantes e fugitivos de ambos os países, emergem histórias que impressionam, merecem registro e divulgação, por sua singularidade e, ao mesmo tempo, universal temática. Em meio a um misto entre cerrado, Pantanal e Chaco, grupos distintos vão tecendo relações, como numa espécie de eu-no-espelho, onde a alteridade se re-afirma: bolivianos, brasileiros, indígenas chiquitanos, militares do exército, fazendeiros vindos de outra região do país, comerciantes e sacoleiros. Ao revelar cotidianos dessas pessoas, seus costumes e tradições, conflitos, encontros e negociações, revelamos também as transformações da fronteira, feita e refeita constantemente, desde que Portugal e Espanha brigam pela região, no século XVI, em busca das minas de prata e do Eldorado. Transitar por este território é transitar pelos limites da humanidade. Massacres indígenas, padronização cultural, conflitos pela terra e luta pela sobrevivência, testando incessantemente os limites humanos, até a exaustão do além-fronte. Você tem sete meses para produzir o vídeo. Já tem o roteiro e uma equipe fechada? Tem previsão de início? O pré-roteiro já está bem fechadinho com 11 páginas. Mas, é claro que vou ter de fazer uma pesquisa melhor, ir a campo, encontrar materiais, personagens, etc, para desenvolver um roteiro de filmagem, mais adequado. A equipe ainda está praticamente indefinida. É que agora estou tentando agilizar o tramite burocrático para fechar o termo de parceria com as entidades organizadoras, que inclui a Petrobras e o IPHAN. E, a partir de maio já vamos começar os preparativos, como contratação de equipe, viagens de campo e pesquisa. Penso que as filmagens também possam ocorrer entre maio e junho. Mas vou fazer tudo sem pressa e com muita calma, para ficar um trabalho interessante e bacana. Como você se sente sendo um dos selecionados concorrendo com tantos projetos de todo o país? Me sinto gratificado. É muito legal você ralar, de forma honesta, concorrendo com várias pessoas e conseguir o apoio. Porque, afinal, você veja que a demanda reprimida é enorme, foram 897 inscritos e apenas 15 selecionados. Agradeço a Deus pela oportunidade e também a comissão de seleção que foi bastante competente e ética. Já tinha participado desse edital? Já foi contemplado em outro(s)? Neste em específico do Etnodoc não. Mas, já tinha tentando e participado em vários outros, mas nunca tinha conseguido aprovar projeto nenhum. Agora tenho um roteiro de um projeto apresentado por um outro diretor que ganhou o projeto para fazer um vídeo sobre o município de Juína e os conflitos na região, que foi concorrência nacional naquele Microprojetos da Amazônia. Em nível estadual tive um vídeo já também aprovado do qual fui diretor e roteirista, o É Kalon - Olhares Ciganos, que lancei no ano passado, sobre a cultura cigana e patrocinado pelo Fundo Estadual de Cultura. E ainda fui roteirista de outros dois projetos de um diretor da Capital, aprovados pela Secretaria de Cultura do Estado, que estão sendo produzidos por ele e eu apenas participei com o roteiro, devendo ser lançados também em 2012, um sobre Dom Aquino Correa da Costa, um curta-metragem, e o outro vídeo sobre A Buca pela Africanidade em Cuiabá. Qual a importância desse vídeo? Acredito que tem total importância, afinal, após mais de 500 anos de negociações e conflitos, a (s) fronteira (s) Brasil-Bolívia e Bolívia-Brasil (750 km de fronteira seca), geo-politicamente está regulamentada por marcos e traçados. Entretanto, na vida cotidiana, não é assim tão delimitada... Em seu entorno desenvolve-se lógica própria e paisagem singular, constituindo-se como pano de fundo da trama. a) Importância da região: Palco de conflitos históricos entre Portugal e Espanha[1], na disputa pela terra e riquezas naturais, a região é de extrema importância econômica, histórica e cultural para a formação e o intercâmbio entre e do Brasil e da Bolívia. b) Liminaridades na fronteira: A fronteira é um lugar de contradições, mas também de reafirmações, como Brasil-Bolívia, Bolívia-Brasil, natureza e cultura, eu e outro, legal e ilegal, local x global, padronização x resistência cultural, etc. Acrescenta-se contrabandos, tráfico de drogas, roubos de carros e fugitivos, que fazem parte do cenário local e são amplamente divulgados pela mídia. [1] Como o tratado de Tordesilhas (1530), a primeira divisão do continente, onde a região pertencia à Espanha, e o tratado de Madri (1750), o qual se instalou o marco de Jaurú, hoje na Praça em Cáceres, onde a região oficialmente passou a pertencer ao Brasil. Como surgiu a ideia de trabalhar com a fronteira? Olha, eu tenho contato com a realidade dos grupos chiquitanos e da fronteira desde o ano 2000, quando fui bolsista de iniciação científica no curso de jornalismo de um projeto da professora doutora, Joana Aparecida Fernandes Silva, que foi minha professoras nas duas disciplinas do curso de jornalismo na UFMT. Este projeto da Joana estudava justamente o processo de reconhecimento dos grupos chiquitanos vivendo na região da fronteira entre Mato Grosso e Bolívia. Aliás, Joana é hoje talvez a maior autoridade científica sobre esta etnia no Brasil e gostaria muito que ela também fizesse parte deste trabalho. Mas atualmente ela é professora da UFG (Federal de Goiás). Foi a Joana que me ensinou a respeitar e tratar a diversidade cultural de forma mais aberta e com moldes nas teorias antropológicas. Foi ela quem me apresentou quem são de fato os indígenas e a luta histórica deles. SOBRE O PRÊMIO ETNODOC – A organização do Etnodoc, que está na terceira edição (a primeira foi em 2007 e a segunda em 2009) é feita pela Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro (ACAMUFEC), em parceria com o Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular (CNFCP), do Departamento de Patrimônio Imaterial (DPI), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), com patrocínio da Petrobras. O vídeo terá a duração de 26 minutos e produzido em alta definição. A Comissão de Seleção foi formada por representantes das várias instituições realizadoras e parceiras do projeto: Associação Cultural de Amigos do Museu de Folclore Edison Carneiro, Centro Nacional de Folclore e Cultura Popular e Iphan; Secretaria do Audiovisual/MinC e EBC/TV Brasil; além de pelo menos um especialista convidado, da esfera audiovisual, sem vínculo com as citadas instituições. Foram eles: Claudia Ferreira (presidente), Aline Machado, Berenice Mendes Cáscia Frade, Emílio Domingos e Teresa Chaves. A realização do prêmio contou com a parceria da Empresa Brasil de Comunicação – TV Brasil (EBC), Secretaria de Audiovisual (SAV) e Secretaria de Políticas Culturais (SPC).
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