Uma operação das forças de segurança realizada neste domingo (1º) atingiu em cheio a estrutura do garimpo ilegal instalado na região noroeste da Terra Indígena Sararé, conhecida como Garimpo da Taca. Durante a ação, foram destruídas 23 dragas, 12 balsas de mergulho e cinco escavadeiras utilizadas na extração clandestina de ouro.
Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso, além da inutilização dos equipamentos, a operação também resultou na neutralização de maquinários de apoio logístico, apreensão de instrumentos e coleta de provas que devem reforçar os inquéritos em andamento sobre a atuação de organizações criminosas na área.
Durante o avanço das equipes, houve reação armada por parte dos garimpeiros, com disparos de fuzil contra os agentes. Os policiais revidaram, e após a troca de tiros, os suspeitos conseguiram fugir pela mata. Até o fechamento desta matéria, nenhuma prisão havia sido registrada.
A Terra Indígena Sararé é ocupada tradicionalmente pelo povo Nambikwara e se estende por áreas dos municípios de Conquista D’Oeste, Nova Lacerda e Vila Bela da Santíssima Trindade. O território vem sofrendo forte pressão ambiental em razão do avanço contínuo do garimpo ilegal.
Levantamentos recentes indicam que, em 2024, a Sararé liderou o ranking de terras indígenas mais desmatadas da Amazônia Legal. Entre 2021 e 2024, o desmatamento na região cresceu 729%. Dos 67 mil hectares do território, mais de três mil já foram degradados pela exploração ilegal de ouro.
Desde 2023, ações de fiscalização já resultaram na neutralização de mais de 460 escavadeiras na área. As forças de segurança estimam que cerca de dois mil garimpeiros, muitos ligados a facções criminosas, ainda permaneçam atuando dentro da terra indígena, cenário que tem intensificado os conflitos armados e ampliado os riscos ambientais e sociais na região.