Diario de Cáceres | Compromisso com a informação
Mortandade de peixes atinge Rio Paraguai em Cáceres
Por João Arruda
06/03/2026 - 10:35

Foto: reprodução

Cardumes de todas as espécies de peixes que compõem a fauna ictiológica do Rio Paraguai e de seus afluentes estão morrendo nas últimas 72 horas no município de Cáceres (a 210 km de Cuiabá).Tocador de vídeo00:0000:15

Imagens com os peixes mortos flutuando circulam nas redes sociais da região, gerando preocupação e tristeza entre moradores e ambientalistas.

O Fenômeno da decoada

O fenômeno conhecido como “decoada” ou “dequada”, conforme o regionalismo local, ocorre tradicionalmente no período de cheias no Pantanal. No entanto, desta vez, a intensidade do evento está sendo avassaladora, superando as expectativas e causando um impacto sem precedentes.

Nos meses de dezembro até meados de fevereiro, o nível do Rio Paraguai se manteve abaixo de três metros, um patamar relativamente baixo. Contudo, desde a segunda quinzena de fevereiro, o volume de águas provenientes das intensas precipitações fez elevar drasticamente a altura do Rio, com as águas invadindo as áreas de matas ciliares.

Esse avanço repentino das águas arrastou para o leito do Rio Paraguai grande quantidade de restos de madeiras e matéria orgânica que estavam acumulados nas margens. Ao se decompor, essa vasta quantidade de material reduz drasticamente a oxigenação das águas, criando um ambiente inóspito para a vida aquática. Este processo provoca a mortandade de centenas de milhares de peixes numa longa extensão dos rios do Pantanal.

Cáceres, município situado na cabeceira da Planície Pantaneira, é por consequência natural o mais afetado por este fenômeno. A localização estratégica da cidade a torna particularmente vulnerável aos impactos da decoada.

O desabafo de um guia turístico

O influenciador e guia turístico José do Carmo, que possui um rancho à margem do Rio Paraguai, a poucos quilômetros da área urbana, lamentou profundamente o desastre. Ele chegou a filmar espécies de pintados, jaús e cacharas – peixes de grande valor ecológico e econômico – buscando desesperadamente oxigênio no barranco próximo à sua habitação.

“É triste ver essa situação, sem poder fazer nada. É um fenômeno natural sem que haja maneiras de frear essas mortes tanto das espécies nobres quanto de outras que também são importantes na composição dos cardumes”, desabafou José do Carmo, expressando a impotência diante da força da natureza.

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De vários pontos da cidade, pode-se observar uma expressiva quantidade de peixes sem vida boiando ao longo do leito do rio, um cenário desolador que choca a população local.

 Abrangência e consequências do fenômeno

O fenômeno da decoada não se restringiu apenas ao Rio Paraguai. Ele também atingiu as baías adjacentes ao rio, bem como pegou em cheio o Rio Jauru, importante afluente do Paraguai, que desemboca no Rio Paraguai nas proximidades das Fazendas Barranco Vermelho e Descalvados.

A decoada acaba comprometendo parte importante do ciclo reprodutivo dos cardumes, o que pode ter impactos a longo prazo na população de peixes da região. Além disso, o fenômeno afeta diretamente os moradores ribeirinhos que dependem da pesca de subsistência para sua alimentação diária e sobrevivência, agravando a situação social e econômica dessas comunidades.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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