25 anos após seu assassinato, o padre Nazareno Lanciotti está prestes a tornar-se beato. Homem de profunda fé e missão, o missionário italiano teve seu martírio reconhecido pelo papa Francisco uma semana antes de sua morte, em 2025. A cerimônia de beatificação, no dia 13 de junho deste ano, irá acontecer em Jauru (425 km a oeste). No município, o religioso viveu por 30 anos e deixou um legado não só de credo, mas também de grande vínculo com a comunidade e denúncias contra injustiças.
Nascido em Roma, em 3 de março de 1940, Nazareno foi ordenado sacerdote em 1966, aos 26 anos. No Brasil, o padre começou a atuar em 1971, principalmente em Jauru, onde permaneceu até seu homicídio, em fevereiro de 2001. Na ocasião, dois homens armados invadiram sua casa e dispararam contra ele. Hospitalizado em estado grave, o padre sobreviveu ainda por 10 dias e faleceu aos 61 anos.
Apesar de sua morte, seu testemunho permanece vivo. Com a cerimônia, o italiano se tornará o primeiro beato de Mato Grosso, isto é, uma santidade para uma diocese específica. Nesse caso, para a Diocese de São Luiz de Cáceres, em Cáceres (225 km a oeste), que contempla a região oeste do estado.
O ex-seminarista de Nazareno e atual administrador da causa da beatificação, padre Evandro Stefanello, explica ao GD a relevância do reconhecimento dos feitos do italiano.
“A importância não é apenas a beatificação, mas também o seu testemunho de vida, o seu compromisso com o evangelho. Ele não tinha medo de falar a verdade contra aquelas situações de exploração, de crime, do abandono de idosos e crianças. Existem esses dois aspectos: o testemunho de vida e o social. Para Mato Grosso, é de suma importância, porque é o primeiro beato que nós vamos ter, ou seja, uma pessoa que agora será declarada santa para a diocese”, diz Stefanello.
Além das denúncias contra o crime, que o tornaram alvo de perseguições e intimidações, Nazareno também prestou serviços sociais. Entre eles, a criação de 57 comunidades eclesiais rurais e a disseminação do Movimento Sacerdotal Mariano nacionalmente. Também foi figura central para a criação de uma infraestrutura que a cidade de Jauru, por ser distante, ainda não tinha. O missionário fundou um hospital, escola e lar para idosos.
“O padre Nazareno deixa, em primeiro lugar, um legado de fé. Ele deu muita importância para a eucaristia, deu muita importância para a devoção a Nossa Senhora e para a vivência da fé em comunidade. Também à questão social, porque o padre Nazareno era preocupado com a situação de Jauru”, pontua o padre.
A preocupação com o povo, por parte do futuro beato, fez com que sua presença fosse muito sentida pela população local. Considerando que a morte de Nazareno foi em 2001, muitas pessoas conviveram com o missionário diariamente.
“Pelo cuidado que o padre Nazareno tinha com o seu povo, hoje o povo sente muito sua ausência. Mas também se alegra com o reconhecimento feito pela Igreja. Os que conviveram com o padre Nazareno aguardavam ansiosamente. Houve pessoas que se emocionaram quando ocorreu o reconhecimento do martírio. Então, a presença do padre Nazareno é muito significativa, não só em Jauru, mas também para todo o Movimento Sacerdotal Mariano”, finaliza.
Beatificação
A Santa Missa de Beatificação do padre Nazareno Lanciotti acontece em 13 de junho deste ano, em Jauru, a partir das 9 horas. Representando o papa Leão XIV, o cardeal italiano Marcello Semeraro, prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, presidirá a solene celebração. A cerimônia terá transmissão ao vivo no YouTube da Canção Nova Cuiabá