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Produtores rurais de Mato Grosso pedem ao governo o fim do Fethab 2
Por Eduardo Cardoso
19/03/2026 - 13:32

Imea aponta impacto do fundo sobre a margem no campo, e governo diz que vai avaliar pleito. — Foto: Alisson Alencar/Sistema Famato

Produtores rurais de Mato Grosso defenderam nesta quinta-feira (19), no auditório do Sistema Famato, em Cuiabá, a não renovação do Fethab 2 e pediram ao governo estadual medidas de alívio para reduzir a pressão sobre o caixa das propriedades. Entidades que integram o Fórum Agro MT levaram a demanda ao vice-governador Otaviano Pivetta e ao secretário de Estado de Fazenda, Rogério Gallo, em meio ao cenário de baixa rentabilidade, custos elevados e prejuízos em parte das atividades agropecuárias.

 

A discussão foi embasada por dados apresentados pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), que apontam o peso do fundo sobre a margem do produtor, inclusive em culturas e sistemas que operam com resultado negativo. Na soja, por exemplo, a safra 2023/24 fechou com prejuízo líquido de R$ 220,51 por hectare, mesmo com incidência de R$ 152,40 por hectare de Fethab. Para 2026/27, a estimativa é de custo de R$ 189,12 por hectare, mais que o dobro do lucro líquido projetado, de R$ 85,48/ha.

 

O mesmo comportamento aparece em outras atividades. No milho, a projeção para 2025/26 indica prejuízo de R$ 163,11 por hectare, mesmo com cobrança de R$ 102,21/ha de Fethab. No sistema soja mais milho, a estimativa para 2026/27 é de resultado negativo de R$ 77,62/ha, com recolhimento de R$ 291,33/ha ao fundo. No algodão, apesar da margem positiva, o custo do Fethab é elevado, sendo R$ 328,23 por hectare, diante de lucro líquido estimado em R$ 671,70/ha. Na pecuária, a pressão também afeta margens estreitas. Na cria, o lucro projetado para 2025 é de apenas R$ 19,06/ha, enquanto o Fethab consumiria R$ 9,77/ha.

 

O presidente da Famato, Vilmondes Tomain, afirmou que a principal demanda do setor é a não renovação do Fethab 2, embora também tenha sido levada ao governo a possibilidade de suspensão imediata da cobrança. Segundo ele, o pleito apresentado é um pedido de todo o setor agropecuário do estado. “Hoje, a nossa demanda é pela não renovação do Fethab 2. Vimos com bons olhos a sensibilidade do governo em enxergar o que está acontecendo com o setor produtivo e a situação do produtor rural”, disse.

 

Vilmondes ressaltou que o momento é grave para a agricultura e a pecuária e que a prioridade é garantir condições para manter o produtor na atividade. “A maior preocupação hoje é manter o produtor na atividade”, afirmou. Ele acrescentou que o setor agora aguarda um posicionamento formal do governo sobre a demanda apresentada.

 

O vice-governador Otaviano Pivetta sinalizou abertura para discutir o tema, mas ponderou que qualquer decisão precisará respeitar a capacidade fiscal do Estado e os compromissos já assumidos. “Nós vamos rever tudo o que for preciso rever para auxiliar o setor que sustenta o estado”, afirmou. Ao mesmo tempo, reforçou que o Fethab financiou parte importante da infraestrutura logística dos últimos anos e que o debate precisará levar em conta a continuidade das obras.

 

O secretário Rogério Gallo apresentou um balanço da aplicação dos recursos do fundo e afirmou que, desde 2019, o Fethab passou a ser direcionado exclusivamente para investimentos em infraestrutura. Segundo ele, o Estado já entregou mais de 6,2 mil quilômetros de asfalto novo, com previsão de superar 7 mil quilômetros ainda neste ano, além de 3,7 mil quilômetros de rodovias restauradas, 261 pontes de concreto concluídas e novas estruturas em execução ou licitação. Ainda assim, afirmou que o governo está atento à situação do setor e disposto a avaliar a reivindicação apresentada pelas entidades do agro.

 

O presidente do Sindicato Rural de Sorriso, Diogo Damiani, também reforçou o pedido de alívio ao setor ao apresentar números do município, maior produtor de grãos do estado. “O produtor já passou do limite. Em Sorriso, mesmo com produtividade média de 67 sacas por hectare, o Fethab consome hoje cerca de 40% da margem líquida da soja. Nós reconhecemos os avanços do governo em infraestrutura, mas neste momento o setor precisa de fôlego e de ajuda concreta para evitar efeitos ainda mais graves no campo”, afirmou.

 

A reunião foi promovida pelo Fórum Agro MT e contou com a participação de presidentes, lideranças e associados das entidades que compõem o movimento, entre elas Acrimat, Acrismat, Ampa, Aprosmat, Famato, Sistema OCB/MT, além da Aprosoja MT e do secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, César Miranda.

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