Com o objetivo estratégico de qualificar a unidade para a produção e o envio de plasma excedente à indústria farmacêutica nacional, a Unidade de Coleta e Transfusão (UCT) do Hospital Regional de Cáceres, vinculado à Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso e administrado pela Associação de Gestão, Inovação e Resultados em Saúde (Agir), recebeu, entre os dias 11 e 14 de maio, a visita técnica do Programa Estadual de Qualificação da Hemorrede (PEQH).
A ação visa integrar Cáceres ao esforço nacional de autossuficiência em hemoderivados, permitindo que o plasma coletado na região seja transformado em medicamentos de alta complexidade pela Empresa Brasileira de Hemoderivados e Biotecnologia (Hemobrás).
Da coleta à indústria: o caminho do plasma excedente
O principal foco dos quatro dias de trabalho, conduzidos pela coordenação e equipe técnica do PQEH, foi o alinhamento dos processos biotecnológicos e de controle de qualidade exigidos pelos órgãos reguladores.
A meta é garantir que o plasma excedente das doações em Cáceres atenda a todos os critérios rigorosos para ser enviado à Hemobrás. Na indústria, esse insumo será utilizado na fabricação de medicamentos de alto custo e extrema necessidade para o Sistema Único de Saúde (SUS), tais como: Albumina e Imunoglobulinas.
Avanços estruturais e autonomia regional
A qualificação para a exportação do plasma industrializável exige melhorias robustas na cadeia de frio e no manejo dos hemocomponentes. De acordo com a biomédica e encarregada do Serviço de Hemoterapia da unidade, Rafaela Alves Ribeiro, a visita foi o passo decisivo para essa estruturação.
“Foram dias de muito aprendizado focado na estruturação dos processos, o que trará um impacto direto na eficiência do serviço e na saúde de toda a população de Cáceres e região”, destacou Rafaela.
A coordenadora médica e responsável técnica da UCT, Maíra Borela Nunes, explicou que a parceria com o Hemocentro é fundamental para garantir suporte técnico, qualificação dos processos hemoterápicos e segurança transfusional da unidade. Segundo ela, o trabalho integrado entre as instituições, aliado ao foco na produção de plasma destinado à Hemobrás, contribui para elevar o nível tecnológico da UCT, fortalecendo a qualidade dos serviços prestados e ampliando a capacidade de atendimento aos pacientes da região.
“Essa qualificação nos garante mais segurança transfusional e impulsiona a melhoria da nossa estrutura, incluindo a aquisição de equipamentos especializados, como freezers de alta tecnologia e maior capacidade para o armazenamento adequado dos hemocomponentes. Além de abastecer nossa demanda local, o envio do plasma excedente para a Hemobrás coloca Cáceres no mapa da produção nacional de medicamentos essenciais”, concluiu a médica.
Com essa iniciativa, a UCT do Hospital Regional de Cáceres deixa de ser apenas um ponto de atendimento local para se tornar parte ativa da cadeia de inovação, tecnologia e segurança do SUS em âmbito nacional