Diario de Cáceres | Compromisso com a informação
Bolívia contesta suspeita de cocaína diluída em carga de madeira retida em Corumbá.
Por Folha MS
19/07/2026 - 20:26

Foto: reprodução

A suspeita de cocaína diluída em uma carga de madeira retida em Corumbá passou a ser contestada pela Polícia Boliviana, após informações preliminares de novos exames não confirmarem a presença da droga. O material continua sob investigação no Brasil, e a Polícia Federal informou que pretende se manifestar somente depois de 31 de julho, prazo previsto para a liberação do laudo definitivo.

O comandante geral da Polícia Boliviana, Mirko Sokol, avaliou que os dados disponíveis até agora não sustentam o avanço da apuração. “As informações preliminares que temos sobre a análise laboratoriais sugerem que não há motivos para continuar esta investigação”.

A Receita Federal mantém a carga retida e ressalta que os exames ainda não foram concluídos, enquanto a quantidade de cocaína também permanece sem confirmação. Não houve prisões durante a fiscalização, e os veículos envolvidos chegaram a ser liberados.

Documentos da Bolívia apontam que carga de madeira retida em Corumbá não tem cocaína

(foto reprodução)

Operação reuniu autoridades de três países

A retenção ocorreu em 21 de junho durante a Operação Timber Shield, conduzida pela Receita Federal com participação da Polícia Federal, do Exército Brasileiro e de órgãos de inteligência dos Estados Unidos e da Bolívia. As equipes fiscalizaram cerca de 260 toneladas de madeira transportadas por oito caminhões, quatro interceptados em Corumbá, em Mato Grosso do Sul, e quatro em Cáceres, em Mato Grosso.

Informações compartilhadas entre as autoridades indicavam que a madeira poderia estar contaminada com cocaína, o que levou ao reforço da fiscalização na fronteira. Testes preliminares com reagentes e a reação de um cão farejador ampliaram a suspeita de que a substância estaria em estado líquido e misturada à estrutura das toras.

O volume impede a retirada completa do material para análise, conforme fontes ligadas à operação, porque o procedimento seria lento, caro e dependeria de uma estrutura industrial. Apenas parte da carga será examinada por meio da imersão da madeira em reagentes químicos, processo que desprende a substância, permite seu acúmulo no fundo de um recipiente e viabiliza a coleta pelos peritos.

A madeira tinha como possíveis destinos Mato Grosso do Sul e Paraná, e parte dos caminhões passaria por Campo Grande antes da distribuição. Em Corumbá, quatro caminhões permanecem parados na alfândega, no pátio da Agesa, porto seco e terminal logístico localizado na fronteira com a Bolívia.

Documento da polícia boliviana reforça que não há cocaína em carga apreendida em Corumbá - Capital do Pantanal

(foto reprodução) - A paralisação afetou entregas, elevou os gastos com transporte e interrompeu o envio de mercadorias que já tinham compradores, conforme os importadores. Alessandro Castro relata que a retenção também prejudica trabalhadores mantidos por sua empresa na Bolívia. “Faz vinte e poucos dias, quase 30 dias que tamo sem trabalhar, né? Eu tenho mais de 40 funcionários na Bolívia que depende das entregas de madeira. Meus clientes tão querendo desistir já. Eu tô num prejuízo danado e nenhum órgão, nem a Receita Federal, nem a Polícia Federal se responsabiliza. Não me dão um documento. Todo dia fala que vai dar um documento, não vem”.

O advogado Leandro Lobo, responsável pela defesa de outro importador, calcula que as diárias dos caminhões parados chegam a R$ 44 mil e pretende buscar a isenção desses custos. “A defesa ela entendeu por questionar a Receita Federal porque nós entendemos que a partir do momento da retenção dessa mercadoria, as diárias não são de responsabilidade dos empresários, né? Uma vez que não foram os empresários que deram causa pra que essa mercadoria fosse retida, né? Se porventura houver uma resposta negativa, juridicamente a gente já conseguiria ingressar ao menos um mandado de segurança pra verificar com relação à isenção dessas diárias”.

Depois dos exames, os peritos deverão estimar a quantidade de cocaína eventualmente presente na madeira, enquanto a investigação busca identificar os responsáveis pelo possível esquema criminoso. A previsão informada pelas autoridades é que a carga seja incinerada após o trabalho pericial.

Defesa de transportadora contesta apreensão de cocaína em carga de madeira A defesa de duas empresas responsáveis por quatro caminhões, cujas cargas de madeira foram apreendidas em uma grande operação realizada em

(foto reprodução)

 

Carregando comentarios...