A vítima teria sido atraída para uma emboscada, submetida a julgamento por integrantes de facção criminosa e executada; buscas pelo corpo continuam
A Polícia Civil de Mato Grosso deflagrou, nesta terça-feira (12.8), a Operação Sepélio, para o cumprimento de cinco ordens judiciais de busca e apreensão contra investigados por envolvimento no desaparecimento e homicídio de um homem, ocorrido no município de Campos de Júlio, em abril deste ano.
As ordens judiciais foram autorizadas pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias – Polo Cáceres, com base nas investigações conduzidas pela Delegacia de Campos de Júlio. Os mandados foram cumpridos simultaneamente em endereços vinculados aos investigados, com o objetivo de apreender aparelhos eletrônicos, documentos e outros elementos de prova relacionados ao crime.
As investigações tiveram início para apurar o desaparecimento da vítima, ocorrido no dia 13 de abril de 2026, em Campos de Júlio. Conforme a apuração, na noite anterior, o homem teria participado de uma festa em uma tabacaria local. No dia seguinte, ele teria sido atraído para uma emboscada montada por um integrante de uma facção criminosa, que teria atuado como “isca”.
A vítima estava hospedada na casa de um dos investigados e, ao sair para comprar refrigerante em uma distribuidora, teria sido capturada por integrantes da facção criminosa.
Ao longo da noite, familiares receberam áudios e mensagens de texto que destoavam da forma habitual de comunicação da vítima. As mensagens davam a entender que ele estava bem e que retornaria para casa, em uma possível tentativa de atrasar as buscas pelo desaparecido.
Durante as diligências, foram identificados indícios de que a vítima já havia sido capturada e estaria em poder de integrantes da facção. Entre os elementos apurados está uma ligação ouvida por um amigo, que teria indicado que a vítima estava sendo mantida em cativeiro.
As investigações apontam ainda que a vítima teria sido submetida a um “tribunal do crime” e, posteriormente, executada. Segundo a apuração, o sequestro e a execução teriam ocorrido como forma de retaliação interna da facção, pela venda de drogas sem autorização da do grupo criminoso.
Durante as investigações, também foram identificados indícios de fraude processual por parte dos investigados, com possíveis ações destinadas a dificultar ou atrapalhar o trabalho da Polícia Civil na apuração do crime.
Além do cumprimento das ordens judiciais, equipes policiais realizam buscas em locais apontados pela investigação como possíveis áreas de ocultação do corpo da vítima. As diligências permanecem em andamento.
Nome da operação
O nome “Sepélio” ou “sepulcro” descende da palavra latina sepelire, que significa fazer desaparecer, enterrar e faz referência ao significado da palavra, que corresponde a enterramento ou inumação.
A denominação está relacionada a atuação do grupo criminoso que teria executado e posteriormente ocultado o cadáver, assim como ao principal objetivo da investigação nesta etapa: localizar o corpo da vítima, cuja execução é apontada pelos elementos reunidos durante a apuração dos fatos