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TURISMO DE COMPRAS - Mato Grosso terá primeiro Free Shop ainda neste mês em Cáceres
Por Marianna Peres/Diário de Cuiabá
09/10/2026 - 15:58

Pantanal Free Shop, em Cáceres, será a primeira loja franca terrestre de Mato Grosso — Foto: reprodução

Com investimento de R$ 10 milhões, Pantanal Free Shop deve gerar mais de 40 empregos diretos e atrair consumidores de cidades situadas em um raio de até 700 quilômetros; empreendimento aposta no potencial econômico da fronteira com a Bolívia

 

Mato Grosso vai ingressar ainda neste mês de outubro no mercado brasileiro de lojas francas terrestres, com a abertura do Pantanal Free Shop, em Cáceres (225 quilômetros a oeste de Cuiabá). O empreendimento, que terá investimento de aproximadamente R$ 10 milhões do Grupo Cometa, será o primeiro do gênero no Estado e aposta no turismo de compras como uma nova alternativa de desenvolvimento econômico para a região de fronteira com a Bolívia.

 

A expectativa dos investidores é atrair consumidores de municípios situados em um raio de pelo menos 700 quilômetros, ampliando a circulação de visitantes e movimentando setores como comércio, hotelaria, alimentação, transporte e serviços.

 

INFO free shop cáceres a5a

 

Com sede em Cáceres, o Grupo Cometa atua nos segmentos automotivo e agropecuário e possui 25 lojas, principalmente concessionárias, distribuídas pelas regiões Centro-Oeste e Norte do país.

 

O novo empreendimento deverá iniciar as operações com mais de 40 empregos diretos, distribuídos entre vendas, caixas, estoque, administração, segurança, limpeza e gestão. A implantação também deverá gerar demanda por fornecedores locais e serviços de logística, manutenção e transporte.

 

“Mais do que introduzir um novo formato de varejo no estado, o projeto representa uma estratégia de desenvolvimento regional”, afirma Francis Maris, fundador do Grupo Cometa.

 

A proposta é aproveitar a localização de Cáceres e sua relação histórica com a Bolívia para criar um novo polo de consumo, complementando atividades já consolidadas na região, especialmente o turismo de pesca e as atrações do Pantanal.

 

PERFUMES, ELETRÔNICOS E BEBIDAS - O Pantanal Free Shop terá um portfólio diversificado de produtos nacionais e importados, com destaque para perfumaria, bebidas, eletrônicos e artigos de pescaria. A loja também comercializará cosméticos, roupas, acessórios e mercadorias de diferentes faixas de preço.

 

A gestora do empreendimento, Eliandra Dutra, avalia que a instalação da loja franca poderá ampliar a permanência de visitantes em Cáceres e estimular o consumo em outros estabelecimentos da cidade.

 

“Será criada uma nova frente de desenvolvimento econômico para uma região que já se destaca pelo turismo de pesca e pelo Pantanal”, afirma.

 

Segundo ela, a expectativa não se limita ao faturamento da própria loja. O fluxo adicional de consumidores poderá beneficiar restaurantes, hotéis, postos de combustíveis, empresas de transporte e prestadores de serviços.

 

“Acreditamos no potencial de Cáceres e entendemos que o turismo de compras pode se somar às vocações que a cidade já possui, ampliando a circulação de pessoas e movimentando diversos segmentos da economia”, acrescenta.

 

FRONTEIRA É DIFERENCIAL - A escolha de Cáceres está diretamente relacionada às exigências legais para funcionamento de lojas francas terrestres no Brasil.

 

Diferentemente do comércio convencional, os free shops não podem ser instalados livremente em qualquer município. O regime é destinado a localidades de fronteira enquadradas nas condições previstas pela legislação federal.

 

“Cáceres está inserida na região fronteiriça com a Bolívia e mantém relações econômicas, turísticas e culturais com o país vizinho”, explica Eliandra.

 

Para o Grupo Cometa, a iniciativa integra uma estratégia de longo prazo voltada à exploração das oportunidades econômicas da fronteira oeste mato-grossense.

 

O projeto também representa uma diversificação dos negócios da empresa, cuja trajetória começou em Cáceres e se expandiu principalmente pelos setores automotivo e agropecuário.

 

LOGÍSTICA É DESAFIO - Se a localização na fronteira oferece vantagens comerciais, a distância dos grandes centros de abastecimento representa um dos principais obstáculos operacionais do empreendimento.

 

Cáceres está a mais de três mil quilômetros dos principais portos utilizados nas operações de importação e abastecimento da loja.

 

“A distância logística é um desafio importante”, reconhece Eliandra.

 

Para reduzir os custos e assegurar a regularidade no fornecimento das mercadorias, o planejamento prevê consolidação de cargas, negociação de fretes e definição dos modais de transporte mais adequados para cada operação.

 

A gestão do estoque será considerada estratégica, especialmente porque parte dos produtos comercializados terá origem no exterior e dependerá de procedimentos específicos de importação e distribuição.

 

EXEMPLO DO SUL DO PAÍS - A implantação do Pantanal Free Shop também se inspira em experiências de municípios da fronteira sul brasileira, onde o turismo de compras passou a representar uma atividade relevante para a economia local.

 

Estudo publicado em 2026 pelo Departamento de Economia e Estatística da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão do Rio Grande do Sul aponta que as lojas francas terrestres podem fortalecer o turismo de compras, reduzir a transferência do consumo para cidades estrangeiras e estimular atividades complementares, como hospedagem, alimentação e prestação de serviços.

 

Um dos exemplos utilizados pelos investidores é Uruguaiana, no Rio Grande do Sul.

 

Segundo dados divulgados pela prefeitura daquele município, os free shops registraram crescimento de 35% nas vendas em 2025, alcançando US$ 50,6 milhões em comercialização ao longo do ano.

 

O levantamento também aponta crescimento de 25% nos empregos formais ligados ao comércio e expansão das atividades de hospedagem e alimentação desde a implantação das lojas francas.

 

Embora reconheça as diferenças entre as regiões, Eliandra acredita que Cáceres reúne condições para desenvolver um mercado semelhante.

 

“Esse desenvolvimento também será visto no Mato Grosso a partir do primeiro Free Shop em Cáceres”, afirma.

 

COMO FUNCIONA UMA LOJA FRANCA - Ao contrário do que o nome pode sugerir, um free shop não é um shopping center. Trata-se de uma loja franca que comercializa produtos nacionais e importados sob um regime tributário específico, semelhante ao adotado em estabelecimentos de aeroportos internacionais.

 

Nas cidades de fronteira, essas lojas operam conforme regras estabelecidas pela legislação federal e pela Receita Federal.

 

As compras estão sujeitas a limites individuais por consumidor e a mecanismos de controle eletrônico das operações. O regime também permite a comercialização de determinados produtos fabricados no Brasil, além das mercadorias importadas.

 

Para a gestora do Pantanal Free Shop, explicar essas características será uma das prioridades antes da inauguração.

 

O objetivo é esclarecer aos consumidores as regras de funcionamento, os limites de aquisição e as possibilidades oferecidas pelo novo modelo comercial.

 

Com a abertura prevista para outubro, o empreendimento deverá colocar Cáceres em um segmento até agora concentrado principalmente na fronteira sul do país, criando uma nova alternativa de atração de visitantes e investimentos para a região oeste de Mato Grosso.

 

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