Durante a disputa do segundo turno das eleições presidenciais, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia defendeu a confiança nas urnas eletrônicas e alertou para os efeitos da desconfiança sobre a democracia. A declaração foi feita nesta terça-feira (13), durante visita à Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá.
Cármen Lúcia participou da abertura da Semana do Conhecimento UFMT 2026, realizada no Teatro Universitário, onde proferiu a conferência “Ciência e Democracia: caminhos para a equidade”.
Ex-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a ministra afirmou que a urna eletrônica pertence ao povo brasileiro e que sua segurança pode ser verificada por meio de auditorias e demonstrações públicas.
“A urna é inconfiável, a urna não é de juiz, a urna é do povo brasileiro e o povo assumiu que a urna é confiável, porque é, simples assim, plantou-se isso”, declarou ao criticar a disseminação de dúvidas sobre o sistema eletrônico de votação.
Cármen Lúcia também citou uma comparação feita pelo ministro Carlos Velloso, que presidiu o TSE quando as urnas eletrônicas começaram a ser utilizadas. Segundo ela, ele mencionava que o índice de confiança no equipamento havia caído de 97% para 73%, apesar de a tecnologia ser apresentada e submetida a auditorias.
Para a ministra, a confiança nas instituições é um dos princípios básicos da democracia. Ela afirmou que críticas a decisões judiciais são legítimas, mas não devem ser confundidas com a falta de confiança no funcionamento das instituições.
“É preciso, portanto, que a gente construa essa sociedade com o princípio básico da democracia, que é o da confiança”, disse.
Durante a conferência, Cármen Lúcia defendeu a democracia como condição para garantir as liberdades individuais e a participação da população nas decisões sobre o país. Segundo ela, esse regime não é um modelo acabado, mas um processo permanente de aperfeiçoamento.
A ministra também destacou o papel da educação na formação de cidadãos livres e conscientes. Para ela, o acesso ao conhecimento permite que as pessoas compreendam melhor a realidade e tenham mais liberdade para fazer escolhas.
Cármen Lúcia afirmou ainda que a democracia precisa garantir condições mínimas de vida para toda a população. Ela citou a importância da solidariedade e do acesso a direitos básicos e ressaltou que a liberdade não pode ser assegurada apenas a uma parte da sociedade.
Ao abordar o processo eleitoral, a ministra lembrou que o voto é secreto e que cada eleitor deve ter liberdade para escolher seu candidato sem pressão externa. Para ela, a confiança nas instituições e o respeito à liberdade individual são fundamentais para a convivência democrática.