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Servidora do Judiciário atropelada durante comemoração pós eleição presidencial em Cáceres contesta versão apresentada pelo motorista
Por Laisa Machado Stofel/Primeira Página
03/11/2026 - 17:14

Foto: reprodução

A técnica judiciária Rosemar da Silva Santos, de 49 anos, atropelada após participar da comemoração pela vitória de Lula em Cáceres (MT), contestou a versão do motorista de que ela aparentava estar embriagada no momento do acidente. Com fraturas no rosto, a servidora formalizou uma representação criminal nesta terça-feira (3) e questionou a Polícia Civil por não incluir a suspeita de omissão de socorro no procedimento.

Técnica judiciária sofre fraturas na face após atropelamento em Cáceres e faz apelo por justiça e respeito às diferenças políticas.

Após acidente, 

Rosemar ainda aguarda o rosto desinchar para saber se precisará de cirurgia. – Foto: Reprodução

Ela também cobra esclarecimentos sobre a possível motivação política do atropelamento, ocorrido no dia 25 de outubro e registrado por câmeras de segurança.

Rosemar contestou a versão apresentada pelo motorista Gilmar Aguilhera Prenzler, de 38 anos, que afirmou à Polícia Civil ter deixado o local do atropelamento porque a vítima e outras pessoas próximas aparentavam estar embriagadas.

A servidora negou ter consumido bebida alcoólica e explicou que, no momento do acidente, havia acabado de sair da comemoração política e seguia acompanhada de uma amiga para jantar.

Para ela, a alegação do motorista foi uma tentativa de justificar a falta de socorro após o atropelamento. Confira vídeo do acidente:

A servidora também criticou a postura do motorista após o atropelamento. Segundo Rosemar, Gilmar afirmou em depoimento que já a conhecia, por terem pessoas em comum no círculo de convivência, e que acompanhou a repercussão do caso pela imprensa. Apesar disso, não entrou em contato com ela nem procurou espontaneamente a polícia para prestar esclarecimentos.

Rosemar afirma que o motorista só foi localizado após diligências da Polícia Civil. Para a vítima, a falta de contato demonstra ausência de arrependimento. Ela também contesta a versão apresentada por Gilmar de que teria descido do veículo para oferecer ajuda logo após o atropelamento.

“Por que não me procurou? Por que não se apresentou? Quando fiz o exame de corpo de delito, o perito disse que eu tive muita sorte de não ter batido a cabeça. […] Ele nem teve a capacidade de me ligar. Ou seja, arrependimento zero e ainda mentiu dizendo que foi me perguntar se precisava de ajuda”, afirmou.

A servidora também questionou a condução da investigação pela Polícia Civil. Ao formalizar a representação criminal nesta terça-feira (3), Rosemar demonstrou insatisfação com o enquadramento do caso como lesão corporal culposa, sem a inclusão da suspeita de omissão de socorro no documento. Segundo ela, as circunstâncias do atropelamento e a conduta do motorista após o impacto deveriam ser consideradas na apuração.

“Saí muito chateada da delegacia. Me senti desrespeitada, como se fosse um ato insignificante, porque eles estão cientes de que ele não prestou socorro. Então, por que não colocaram ao menos a omissão?”, questionou.

Houve motivação política?

A vítima denunciou prints retirados do perfil de Gilmar no Instagram, que comprovam seu viés político em apoio ao candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL), os quais foram desconsiderados e retirados das provas pela PJC, embora reportagens expondo o posicionamento político da própria vítima tenham sido anexadas ao processo.

A vítima afirma ainda ter recebido muitos comentários de ódio nas redes sociais após ter seu acidente vinculado à política, contestando que, se a repercussão de sua imagem se tornou política, as publicações de Gilmar também deveriam ser consideradas na representação.

“Vou fazer tudo que o direito me permitir fazer para que ele pague pelo que fez. Se a perícia determinar que não foi intencional, que ele pague por uma pena mais gravosa do que somente a lesão corporal culposa”, concluiu Rosemar ao ser questionada pelo Primeira Página sobre os próximos passos da representação.

Relembre o caso

O atropelamento ocorreu na noite do dia 25 de outubro, na Rua 13 de Junho, nas proximidades da Praça Barão do Rio Branco, em Cáceres. Rosemar caminhava pela via pública, acompanhada de uma amiga, após participar de uma manifestação de comemoração política, momento em que foi atingida por trás por um veículo Onix branco alugado. O impacto causou perda imediata de consciência e ferimentos graves no rosto e no corpo.

A vítima foi socorrida por populares e encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), de onde seguiu para o Hospital Regional de Cáceres. Exames de tomografia computadorizada diagnosticaram fraturas na parede anterior e posterior do seio maxilar esquerdo, além de fratura no assoalho da órbita esquerda.

Em licença médica, a técnica judiciária segue em tratamento e aguarda a redução do inchaço facial para reavaliação da equipe de cirurgia bucomaxilofacial. As investigações continuam na Delegacia de Polícia Civil para a conclusão do inquérito.

localizacao-onde-tecnica-juridica-foi-atropelada- em-cáceres

Local onde Rosemar foi atropelada. – Foto: Reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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