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Pontes e Lacerda: garimpeiras reclamam da violência e afirmam que tem muito ouro no 'Caldeirão'
Por Keka Werneck
04/10/2017 - 13:21

Foto: arquivo

Garimpeiras que atuam irregularmente no garimpo na Serra da Borda, também conhecida como Serra do Caldeirão, em Pontes e Lacerda (448 Km a Oeste), reclamam da violência policial e de seguranças da mineradora que tem autorização para explorar a área.

São principalmente de Mato Grosso, Rondônia, Goiás e Pará. Não querem dar o nome, porque se sentem o lado mais fraco no garimpo. Alegam que têm filhos para criar e só querem trabalhar.

Elas entraram em contato com o Gazeta Digital.

Afirmam que, enquanto tiver ouro na área, a disputa não vai cessar, porque não têm emprego e não vão sair de lá, embora saibam que a prática atual na área é ilegal.

Elas não acham justo somente uma empresa ter direito à exploração.

Internauta

Ouro que teria sido extraído na serra

"Tem ouro raso e profundo na área, certeza. A gente acha pouca coisa, porque precisa cavar de 3 a 5 metros e toda vez que estamos indo nesta direção eles fazem operação da segurança pública ou mandam pistoleiros atirar na gente", afirma uma maranhense de 54 anos, que mora em Porto Velho (RO) e que já foi expulsa 5 vezes do "Caldeirão".

"Em 2015, quando aconteceu a primeira grande movimentação de gente eu estava lá entre os que foram expulsos. Da última vez, saí dia 29, um dia antes do último conflito, 30 agora de setembro", comenta.

O maior tempo que ela passou no "Caldeirão" foi 1 ano e 8 meses, vendendo água e comida.

Na segunda vez que foi ao garimpo já levou a filha menor de idade. As 2 foram presas e, em seguida, soltas. "Colocaram minha filha junto com os maiores, eu fiz uma confusão lá por causa disso, não pode", reivindica.

Ele afirma que no garimpo não tem armas, só pá, picareta e bateia, espécie de bacia rasa de madeira ou metal usada na mineração para separar ouro ou pedras preciosas.

Já as forças da segurança pública afirmam que no local há problemas com porte de armas.

Chico Ferreira

Já foram feitas diversas desintrusões da área

A garimpeira se diz a ponto de desistir.

"Estou quase indo novamente para Guiana Inglesa. Uma vez fui para lá e os garimpos são legalizados, porque lá tem governo. Aqui não, aqui quem manda é quem tem dinheiro. Se deixassem a gente trabalhar a gente fazia ouro, mas do jeito que está só uma empresa pode enriquecer. E eu digo que somos pessoa de bem, desempregadas, com filhos para criar", defende-se.

Ela aprendeu a garimpar com o irmão na adolescência.

Para defender-se, alega que garimpeiros, como ela, fazem escavação artesanal, não jogam nem mercúrio, porque só é necessário no caso de ter ouro em pó e no "caldeirão" é encontrado em forma de pedra, em pedaços.

No entanto, relatório emitido pelo laboratório da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) aponta que a exploração ilegal do garimpo provocou um desastre ambiental no rio Guaporé principal manancial da rgeião.

Laudo atesta contaminação por mercúrio do rio Guaporé

Reprodução

Ouro atraiu multidão em novembro de 2015, maioria de homens.

Já mineradoras, segundo a garimpeira, usam arsênio inorgânico, considerado um veneno extremamente tóxico para seres humanos desde os tempos antigos. Apenas 1 grama seria suficiente para matar 7 pessoas adultas. Contamina água, solo e o ar.

Sobre prostituição e drogas no garimpo, questiona se isso só tem lá. "Na cidade não tem isso não? Bem no Centro das cidades, não tem isso não, para todo mundo ver. A droga está no mundo e a prostituição em todo canto".

Outra garimpeira de 48 anos, de Pontes e Lacerda, viúva, mãe de 3 filhos, de 12, 10 e 7 anos, diz que era comerciante na cidade, mas a crise estava forte e não conseguia tirar o sustento da família.

"Há 3 anos eu juntei com 2 amigas, minhas sócias, e fomos para o garimpo, o que a gente achar a gente divide, eu já achei ouro, fagulhas, pedrinhas pequenas, que só dá para sobreviver, mas se nos deixassem trabalhar, seria diferente. A gente vai para o meio do mato, com pouco mantimento, fazer um trabalho pesadíssimo, leva pouco mantimento e ainda corre o risco de expulsão ou morte", reclama.

No dia 30, quando seguranças da mineradora atiraram em irregulares, ela não estava no garimpo porque passou mal. Segundo ela, uma mineradora com capacidade de exploração vai retirar muito ouro no "Caldeirão". Mas, quando sair de lá, deixará apenas destruição.

A Mineradora Santa Elina Indústria e Comércio SA havia feito o pedido para pesquisar a área da Serra do Caldeirão, em 1991. Em março do ano passado, em meio à disputa da área, o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) deu autorização por 3 anos. O DNPM é o órgão nacional que autoriza toda exploração mineral no país.

O geólogo Serafim Carvalho Melo, superintendente do DNPM em Mato Grosso, afirma que a empresa fez um acordo com 3 cooperativa e autorizou que atuassem em 3 recortes.

"Como a área é de fronteira, quem tem que dar anuência é também o Conselho Nacional de Segurança", explica o superintendente. Segundo ele, não há nada além disso que garanta a garimpagem legal no "Caldeirão".

Gazeta Digital tentou entrar em contato com a mineradora Elina, mas não conseguiu fazer contato pelos telefones disponíveis na internet.

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