Diario de Cáceres | Compromisso com a informação
Delegados pedem implantação do plantão regionalizado no interior
Por Assessoria | PJC-MT
29/06/2016 - 10:45

Foto: Assessoria | PJC-MT

 Diretoria da Polícia Judiciária Civil recebeu na manhã desta terça-feira (28.06), o Sindicado dos Delegados de Polícia (Sindepo) e representantes dos treze pólos regionais, que apresentaram demandas dos delegados do interior,  que  atualmente acumulam até cinco municípios, com distâncias geográficas de até 500 quilômetros.

Conforme o presidente do Sindepo, Wagner Bassi Junior, a reunião tratou de cinco pontos, sendo eles: a instalação do plantão regionalizado; cumprimento da carga horária máxima de 40 horas semanais, prevista em lei; critério objetivo de remoção; pagamento de adicional por acúmulos de delegacias e adicional para locais de difícil acesso. “Esse são os nossos pedidos. São direitos previstos em lei, que não estão sendo cumpridos atualmente. Os delegados estão trabalhando muito a mais e não recebem mais por isso”, disse o presidente do Sindicato.

Segundo o Sindepo, a problemática no interior está levando muitos delegados a requisitarem  licenças médicas, devido à pesada carga de trabalho, tida por eles como 7/7, ou sete dias por semana, sem descanso, uma vez que estão todos os dias de plantão ou sobreaviso.

O quadro de delegados da Polícia Civil é de 235, sem descontar os 29, que, atualmente, estão afastados das funções por motivos de licenças médicas, férias e cedidos.

O delegado geral da PJC, Adriano Peralta Moraes, informou que situação deve ser amenizada com o novo concurso, autorizado pelo Governo do Estado, para ingresso de 125 novos delegados de polícia. Porém, como os concursos da Polícia Civil são demorados, devido às várias fases, a solução encontrada pela diretoria será adotar o plantão regionalizado, com revezamento, nos fins de semana, pelos delegados do polo regional, para que haja descanso.

“Cada regional tem sua peculiaridade e deverá fazer os encaminhamentos para manter o plantão regional. Mas a solução definitiva é somente com o concurso”, ressaltou Peralta.  

O delegado titular de Rio Branco, Carlos Augusto do Prado Bock, que acumula também os municípios de Salto do Céu, Lambari D’ Oeste, e, eventualmente, Araputanga e Indiavaí, explicou que a reunião foi sugerida para cobrar, prioritariamente, dois pontos, sendo o primeiro, para que haja critérios objetivos de remoção, em especial, para a região metropolitana, e o segundo, a realização do concurso para delegados substituto, que já está autorizado pelo Estado.

“A gente se desloca presencialmente em situação de emergência e grave ameaça. Mas, na maior parte ficamos na delegacia e ordenamos os atos à distância. Isso prejudica a prestação do serviço de Segurança à população e a investigação. Hoje os delegados do interior vivem para trabalhar e o acúmulo de trabalho ao longo do tempo acarreta nas licenças médicas”, disse.

O delegado Marcelo Maidame, informou que responde por três municípios, sendo Confresa, sua unidade titular, respondendo por Porto Alegre do Norte e Canabrava. No entanto, seu colega Valmon Pereira da Silva, titular de São Félix do Araguaia, está responsável por quatro cidades, além de Confresa, sendo os municípios de Luciara, Alto da Boa Vista, Novo Santo Antônio e Distrito de Espigão do Oeste. “São cidades que perdem o contato com o delegado. Na medida do possível fazemos visitas a cada 15 dias”, destacou.

Em Guarantã do Norte, o delegado Ronan Gomes Villar, ressaltou  que a delegada Helena Yloise de Miranda, está acumulando os municípios de Marcelândia, Itaúba, Terra Nova do Norte, Nova Santa Helena e Nova Guarita. “Tem ação civil publica em Peixoto de Azevedo, Matupá e Marcelândia, para que tenha delegado nas unidades, seja completado o efetivo e que os delegados não podem acumular outras unidades”, disse Villar.

O delegado André Eduardo Ribeiro, que também acumula quatro cidades (Comodoro, Nova Lacerda, Campos de Júlio e Rondonlândia), destacou que precisa eleger crimes como prioridade, pois é impossível atender todas as demandas da região. "Se eu preciso ir até Rondolândia levo até dois dias para chegar. Então, uma vez por mês os policiais vêm até a delegacia de Comodoro para despachar. Hoje trabalhamos nos crimes de maior repercussão como os roubos, homicídios, estupros e violência doméstica", frisou. 

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