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Hospital Geral devolve sorrisos aos pacientes com lábio leporino e realiza mutirão de cirurgias
Por assessoria
04/11/2020 - 11:08

Foto: imagem ilustrativa

Ninguém precisa conviver com a vergonha e com a discriminação por ter fissura labiopalatina. Foi assim que viveu o Sr. J.D.C., residindo em Nova Monte Verde, 54 anos, que durante todos esses anos teve que conviver com a dificuldade em se alimentar, respirar e falar. 

Seu sonho é poder andar na rua sem que as pessoas fiquem olhando e comentando. “É muito ruim você nascer com essa deformidade, porque além de você sofrer, tem o preconceito das pessoas. Não desejo isso para ninguém”, comentou. 

A cirurgia tão esperada pelo Sr. J.D.C. acontecerá no dia 14 de novembro, no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá, em parceria com a ONG americana Smile Train, que irão realizar nos meses de novembro e dezembro o “Mutirão de Fissuras Labiopalatinas”.

Todos os anos, a Ong Smile Train realiza esse mutirão nas principais capitais do Brasil. Cada local recebe a visita de um cirurgião plástico e/ou equipe para realizar as cirurgias de reparação da fissura labiopalatina junto com a equipe local, trocando experiências. Com isso, espera-se que a lista de espera de pacientes pela cirurgia diminua, pois, devido ao acontecimento da Pandemia Mundial do COVID-19 todas as cirurgias eletivas foram adiadas desde março de 2020.

De acordo com a responsável pelo Serviço de Reabilitação de Fissuras Lábio Palatinas do HG, Yolanda Barros, a iniciativa visa oferecer tratamento multidisciplinar especializado a quem está nesta fila. “Esse ano, devido a pandemia tivemos que paralisar as cirurgias, porém não podemos deixar esses pacientes sem realização desta importante etapa cirúrgica. Como agora a situação está melhorando iremos atender esses pacientes, em forma de mutirão, até meados de dezembro”, explica a doutora.

Yolanda explica que a cirurgia de reparação é de extrema relevância, na qual a transformação física e psicológica é imediata.  “Iremos realizar cerca de 25 cirurgias neste mutirão, a maioria em crianças, jovens e adultos com essa malformação. Somos procurados por diversas pessoas e familiares, principalmente pacientes do interior do Estado de Mato Grosso e regiões circunvizinhas como Rondônia/Cacoal para fazerem o tratamento de consultas ambulatoriais e as cirurgias reparadoras”.

Consideradas malformações congênitas, que ocorrem antes de o bebê nascer, o lábio leporino e a fenda palatina podem surgir juntos e atingir um ou ambos os lados do rosto. No lábio leporino, a formação do lábio superior é incompleta, o que gera uma abertura entra e boca e o nariz do bebê. Isso acontece por conta que as duas partes da face não se uniram adequadamente na gestação. A fenda palatina ocorre quando o palato (céu da boca) não se fecha. As fissuras do lábio leporino e palatina podem levar a desnutrição, má formação da dentição, dificuldades para desenvolver a fala, dentre outros problemas.

Durante o mutirão serão atendidos desde crianças de dez meses de idade até adultos na faixa dos 54 anos. "Para estas pessoas, a possibilidade de corrigir essa alteração congênita significa mudar suas vidas, livrá-las de um problema que, por suas sequelas e dano estético, afeta sua saúde e suas relações sociais", destacou a presidente do HG, Flávia Silvestre.

“As crianças com lábios leporinos precisam de um acompanhamento de equipe multiprofissional especializado, que consiste em acompanhamentos ambulatoriais e realização de etapas cirúrgicas programadas, tendo seu tratamento desde a gestação da mãe até o início da fase adulta com aproximadamente 18 anos de idade. No Estado de Mato Grosso observa-se uma prevalência significativa de crianças de etnia indígena com malformações orofaciais e estas também são tratadas no Hospital Geral e Maternidade de Cuiabá, que é credenciado pelo Ministério da Saúde como Referência na Reabilitação das Fissuras Labiopalatinas”, contou Yolanda.

A.L.O.S. é natural de Ji-Paraná/Rondônia. A criança realiza tratamento no Hospital Geral desde 1 mês de vida, com 3 meses fez a primeira cirurgia labial e em 2019, com 02 anos fez a palatoplastia.  A mãe da adolescente Sra. Cleiciane revela que a qualidade de vida da filha melhorou a cada cirurgia que foi realizada. “A voz dela melhorou, as pessoas passaram a entender o que ela fala, até mesmo a autoestima dela melhora a cada ano que passa. Eu fico feliz por ela, pois além de todas essas cirurgias terem corrido bem, tivemos toda atenção da equipe da Dra. Yolanda”, conta.

Outro exemplo é M.V.M.C., hoje com 08 anos, a mãe do menino conta que conheceu o tratamento ainda gestante quando descobriu a malformação do filho na gestação e foi muito bem acolhida pela equipe multidisciplinar do Hospital Geral.

“O tratamento iniciou-se no ano de 2012, com 02 meses de vida o filho fez a primeira cirurgia, que foi em 21/01/2013. A recuperação foi rápida e correu tudo bem", lembra a mãe.

Lábio Leporino

Estima-se que no Brasil uma a cada 700 crianças nascem com fissura labiopalatina. "Sua causa é multifatorial e condições ambientais e genéticas estão envolvidas. A exposição ao álcool e cigarro, uso de anticonvulsivantes, a deficiência de ácido fólico, entre outras condições maternas aumentam o risco de filhos acometidos”, explica o cirurgião plástico Dr. Fabrício Lucena de Almeida.

De acordo com o médico, a cirurgia plástica tem papel fundamental no tratamento. "As cirurgias para correção da fissura são extremamente importantes para promover a melhora na qualidade de vida. Elas vão muito além do benefício estético, pois promovem a reabilitação de distúrbios da fala, audição, deglutição, dentários, esqueléticos e respiratórios", destaca.

Diferencial

O Hospital Geral assiste à gestante assim que é detectada ainda no feto a fissura lábio palatina. Ela é diagnosticada durante os exames de ultrassonografias que são realizados no pré-natal.

Yolanda finaliza dizendo que quando esse problema é diagnosticado nas gestantes de qualquer município do Estado de Mato Grosso e cidades circunvizinhas, elas são encaminhadas para o HG e começam os tratamentos com a equipe multiprofissional, surtindo efeitos benéficos tanto para a gestante quanto para o recém-nascido.

Nestes 15 anos de criação do Serviço já foram beneficiados 1.272 pacientes, sendo que 1.587 cirurgias reparadoras foram realizadas, conseguindo uma média de 100 cirurgias anuais. Dentre as cirurgias realizadas destacam-se: queiloplastias, palatoplastias, enxertos ósseos alveolares, excisões e reconstruções de lábio, rinoplastias, septoplastias, levantamento de columelas, dentre outras.

Todos os pacientes cadastrados estão em tratamento ambulatorial multiprofissional especializada e todas as consultas são realizadas dentro do próprio hospital. Os pacientes oriundos do interior do estado ficam hospedados em casas de apoio, recebendo alimentação e transporte, inclusive para seus acompanhantes.

Yolanda salienta que desde 2007, o Hospital Geral (HG) realiza a parceria com a ONG americana Smile Train, uma instituição sem fins lucrativos que se dedica a oferecer tratamento gratuito a pessoas com fissura lábio palatina ofertando aos seus hospitais parceiros uma ajuda financeira neste tipo de tratamento. “Mantendo sua missão de melhorar a qualidade de vida de seus pacientes, o HG se mobilizará em realizar cerca de 20 cirurgias reparadoras de alta complexidade nestes próximos dias de novembro/2020”.

Para finalizar Yolanda destaca que o Smile Train oferecerá ao serviço, um kit de instrumentais cirúrgicos com destinação permanente ao Centro. Os pacientes envolvidos nesta Campanha serão aqueles cadastrados no Serviço de Reabilitação de Fissuras Lábio Palatinas do HG, e, que após avaliação/triagem com a equipe, aqueles que necessitarem de intervenção cirúrgica de alta complexidade, será realizada pelo SUS.     

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