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Pesquisa recomenda estratégias para enfrentar o abandono de tratamento de doenças de determinação social, como tuberculose, hanseníase, leishmaniose tegumentar e hepatite B.
Por Assessoria
27/08/2025 - 14:54

Pesquisadores da Unemat e da UFR na Superintendência de Vigilância em Saúde de Mato Grosso em Cuiabá — Foto: Thiago Sanches

 

Pesquisa lança luz sobre um grave problema de saúde pública: o abandono do tratamento de doenças como tuberculose, hanseníase, leishmaniose tegumentar e hepatite B.

Os principais resultados do estudo “Aspectos sociodemográficos, ambientais e clínico-epidemiológicos do abandono ao tratamento de doenças de determinação social em Mato Grosso”, realizado pela Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e a Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), foram apresentados à Superintendência de Vigilância em Saúde (SUVSA/SES-MT), nesta semana (18.08).

PRINCIPAIS DADOS

Entre os anos de 2007 e 2022, os registros do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) mostraram que mais de 10% dos pacientes com tuberculose e hanseníase interromperam seus tratamentos antes do fim.

A tuberculose apresentou 10,39% de abandono, com tendência crescente de cerca de 6,6% ao ano, enquanto a hanseníase atingiu 10,60%, também em alta. Já a leishmaniose tegumentar manteve índices mais baixos (1,64%) e estáveis, enquanto a hepatite B, avaliada entre 2021 e 2023, apresentou taxa de 2,93%.

“O estudo ainda revelou os municípios que concentram maiores índices de abandono, destacando áreas prioritárias para diálogo sobre a organização da rede de atenção, o que exige medidas específicas de vigilância e cuidado”, explicou o professor da Unemat, Josué Souza Gleriano.

 

RECOMENDAÇÕES

A pesquisa não se limitou ao diagnóstico e apresentou recomendações práticas à SUVSA/SES-MT e aos gestores municipais. Entre as principais:

Foco nas populações mais vulneráveis, como pessoas em idade produtiva (principalmente adultos entre 20 e 59 anos), população preta e parda, indivíduos com baixa escolaridade, coinfectados por HIV e usuários de álcool.

Integração entre setores de saúde, com troca de informações entre vigilância epidemiológica e serviços de atenção primária à saúde para garantir acompanhamento contínuo.

Acolhimento humanizado, com ligações, mensagens ou visitas que entendam os motivos do abandono sem punições ou burocracias.

Uso da tecnologia a favor do paciente, como telemonitoramento e lembretes por aplicativos de mensagens.

Campanhas educativas e parcerias comunitárias, envolvendo líderes locais, escolas, igrejas e grupos sociais para combater estigmas e estimular a adesão.

Maior acesso a medicamentos e novas terapias, garantindo que tratamentos mais eficazes cheguem às regiões mais distantes.

 

SOBRE A PESQUISA

O estudo foi financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e pelo Departamento de Ciência e Tecnologia do Ministério da Saúde (DECIT/MS), sob a Chamada Pública nº 21/2023, e coordenado pela professora Dra. Letícia Silveira Goulart (UFR). A equipe reuniu docentes pesquisadores e estudantes da UFR e Unemat.

Segundo a coordenadora, os achados subsidiam o fortalecimento das políticas estaduais de saúde e podem orientar decisões estratégicas da SES-MT para reduzir o abandono terapêutico e garantir maior controle dessas doenças.

“Nosso compromisso é transformar evidências científicas em políticas concretas. Esses resultados indicam que a integração entre universidades, gestores e serviços de saúde é essencial para reduzir desigualdades e fortalecer o SUS em Mato Grosso”, destacou a coordenadora do estudo, Letícia Goulart (UFR).

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