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'CÁCERES ESTÁ DE LUTO': Em carta emocionante, moradora desabafa sobre a morte de Murilo e o medo que invade os lares
Por Joner Campos I Cáceres Notícias
18/01/2026 - 11:25

Foto: reprodução Cáceres Noticias

O assassinato brutal do adolescente Murilo Pessoa Teixeira, de 14 anos, ocorrido dentro de sua própria casa no último sábado, gerou uma onda de consternação que paralisou a cidade de Cáceres. Entre as milhares de mensagens de apoio à família, uma Carta Aberta dirigida à cidade tem circulado e comovido moradores, autoridades e mães que compartilham do mesmo sentimento de insegurança.

Adriana Ribeiro é a autora da carta aberta postada em seu perfil pessoal, ela é amiga da família.

Murilo Pessoa era da Igreja Presbiteriana do Brasil, assim como sua família.

O velório está acontecendo na Igreja Presbiteriana na Rua dos Expedicionários no Birro Vila Mariana, já o Sepultamento acontece no cemitério Park dos Ipês, a partir das 13h deste domingo (18).

O texto, que você lê na íntegra abaixo, é um apelo à paz, um consolo às mães enlutadas e um aviso urgente aos jovens sobre o valor da vida.


CARTA ABERTA A CÁCERES

"Cáceres está de LUTO. Uma cidade inteira ferida. Hoje, não é apenas uma família que chora. Murilo tinha apenas 14 anos. Uma criança. Um menino dentro da própria casa, no lugar onde deveria estar mais protegido. Um filho amado, bem criado, cercado de valores, fé e amor. Um doce de menino. Difícil, quase impossível, acreditar que isso aconteceu.

O que estamos vivendo como cidade? Até quando a violência vai atravessar portas e roubar nossas crianças? Estamos apenas no início do ano... quantas mães mais precisarão chorar para que algo mude? Quando uma mãe perde seu filho, todas nós perdemos um pouco. Perdemos o chão, a sensação de segurança, a certeza do amanhã.

Nenhuma mãe deveria enterrar um filho. Nenhuma família merece carregar uma dor causada por tamanha brutalidade. À minha amiga, mãe do Murilo, e a todas as mães que vivem esse luto: que seus corações não esfriem diante de Deus. A dor é profunda, real e injusta, mas Deus continua sendo abrigo quando tudo desmorona. Chorem, lamentem, silenciem — Deus acolhe até a dor que não vira palavra. O amor que vocês plantaram em seus filhos permanece. Isso ninguém apaga.

Murilo não é estatística. Ele tinha nome, história, família, sonhos e futuro. Essa tragédia não define quem ele era — porque ele não era isso. Mas ela precisa nos despertar para quem estamos nos tornando como sociedade.

Aos jovens: vocês importam. Suas vidas têm valor. Cada escolha carrega consequências que vão além de vocês mesmos. Não banalizem a vida, nem a própria nem a do outro. Ainda há tempo de escolher caminhos que preservam, e não que destroem.

A quem vive no caminho da violência: lembrem-se de que toda ação deixa marcas profundas. Não apenas em quem cai, mas em mães, pais, irmãos e famílias inteiras. Nenhum poder, nenhuma disputa, nenhuma razão justifica o choro de uma mãe ou o fim de uma vida inocente. Sempre existe a chance de parar, refletir e mudar de direção.

Que essa dor não seja esquecida com o passar dos dias. Que ela nos acorde. Que nos faça refletir, cuidar mais uns dos outros e cobrar um futuro onde nossas crianças possam viver.

Isso precisa parar.

Por Murilo. Por todas as crianças. Por todas as mães. Por Cáceres.

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