A comunidade jurídica e a região da fronteira de Mato Grosso estão de luto com o falecimento do renomado advogado Everaldo Batista Filgueira, aos 84 anos. Ele faleceu na tarde de ontem (quarta-feira, 11 de março de 2026) em Cuiabá, onde estava internado para tratamento de saúde. Conhecido por sua ética, combatividade e defesa incansável dos direitos, Everaldo deixa um legado de profissionalismo e dedicação à justiça.
Nascido em Cáceres, filho do comerciante espanhol Vicente Evaristo Filgueira e da cacerense Tereza Batista Filgueira, Everaldo concluiu seus estudos na cidade natal antes de se graduar em Direito pela Universidade de Ensino Superior de Ribeirão Preto (Uniaerp) em 1969. Ao retornar a Cáceres, rapidamente se estabeleceu como uma figura pioneira na advocacia, atuando nas áreas cível e criminal. Sua atuação na complexa região de fronteira lhe rendeu o honroso título de “Advogado da Fronteira”, respeitado por colegas e autoridades de ambos os lados da divisa.
Um defensor da democracia e da cidadania
Durante o período da Ditadura Militar (1964-1985), Everaldo Batista se posicionou firmemente pela redemocratização do país, defendendo eleições livres e criticando a nomeação de prefeitos biônicos, especialmente em Cáceres, que era considerada Área de Segurança Nacional. Sua voz forte e sua retórica afiada como tribuno o transformaram em um “comprador de brigas alheias”, sempre em busca de corrigir abusos e assegurar a cidadania, especialmente para a clientela mais carente da região, incluindo cidadãos bolivianos.
Além de sua atuação nos tribunais, Everaldo Batista foi um grande entusiasta da criação da Faculdade de Direito da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) em Cáceres, um marco para a educação jurídica local na década de 1990. Na política, filiou-se ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), chegando a trazer a Cáceres a exponencial liderança do engenheiro Leonel de Moura Brizola em um período desafiador. Contudo, a advocacia sempre foi sua verdadeira vocação, priorizando a defesa dos mais necessitados acima de qualquer retorno financeiro. Para ele, o mais urgente era “fazer valer as prerrogativas e aparar as arestas das injustiças”.
Sua firmeza e saber jurídico eram suas maiores armas. Everaldo não se curvava diante de magistrados, promotores ou delegados que excedessem suas funções, mantendo a integridade e o respeito ao Direito como seus pilares. Embora sua vida fosse simples e ele não tivesse acumulado grandes bens materiais, seu legado de honra e justiça é inestimável.
O Caso Leopoldino e o legado familiar
Um dos episódios marcantes de sua trajetória foi sua veemente reação e cobrança por apurações no assassinato do juiz Leopoldino Marques do Amaral, com quem havia se reunido em Cáceres no dia anterior ao crime. Everaldo concedeu entrevista a veículos como o Jornal Nacional, repercutindo denúncias contra desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso e exigindo punição aos mandantes.
Everaldo Batista Filgueira deixa três filhos de seu casamento com Virgínia Maria Lunz: a médica Graziela Lunz, a filha Viviane Filgueiras Bazoni e o advogado Everaldo Batista Filgueira Júnior, carinhosamente conhecido como Everaldinho, que segue os passos do pai com um vasto conhecimento e desenvoltura jurídica.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção de Cáceres, emitiu nota de pesar, lamentando a perda de um de seus mais respeitados membros. O velório está ocorrendo nesta quinta-feira (12 de fevereiro de 2026) na Capela Park dos Ipês, e o sepultamento está previsto para as 15h, no jazigo da família. A notícia de seu falecimento causou grande comoção em toda a região da fronteira, que perde uma de suas vozes mais respeitadas e um incansável defensor da justiça.