A Terra Indígena Sararé, em Mato Grosso, tornou-se um dos principais focos do garimpo ilegal de ouro na Amazônia. Segundo reportagem do Estadão publicada nesta terça-feira (25), a área, habitada por cerca de 200 indígenas do povo Nambikwara, concentra desde o ano passado o maior número de alertas de atividade minerária ilegal entre territórios indígenas.
Dados do Ibama obtidos pelo jornal apontam que, entre 2025 e 20 de agosto deste ano, foram registrados 2.295 alertas de garimpo na TI Sararé, atingindo 976,5 hectares. Autoridades ouvidas pelo Estadão atribuem o avanço, entre outros fatores, à migração de garimpeiros expulsos de outras terras indígenas e ao fácil acesso terrestre à região. A reportagem também aponta ligação de parte da atividade criminosa com o Comando Vermelho.
Mesmo após operações federais de retirada de invasores, autoridades relataram o surgimento de novos focos com a redução da presença das forças de segurança. De março a julho, segundo dados citados pelo Estadão, foram realizadas 1.313 ações contra o garimpo na Sararé, com 72 prisões e prejuízo estimado em R$ 110,5 milhões aos criminosos.
Na semana passada, Polícia Federal, Receita Federal e Ministério Público Federal deflagraram a Operação Solo Sagrado para investigar uma organização criminosa suspeita de retirar ouro ilegal da TI Sararé e inserir o minério no mercado formal. Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão e um de prisão preventiva.
Fonte: Estadão