Empresa responsável pelo projeto no rio Paraguai pediu mudança no cronograma de investimentos. A palavra final cabe ao Ministério de Portos e Aeroportos.
A diretoria da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) considerou possível alterar o cronograma de investimentos e prorrogar até 27 de novembro de 2031 o prazo para o início da operação de um terminal portuário privado em Cáceres, a 220 km de Cuiabá. O pedido foi feito pela Companhia de Investimentos do Centro Oeste, titular da autorização. A decisão foi tomada em reunião virtual realizada entre os dias 8 e 10 de setembro e publicada nesta quarta-feira (16) no Diário Oficial da União.
A Antaq não concedeu diretamente a prorrogação. O acórdão sugere a nova data e encaminha o processo ao Ministério de Portos e Aeroportos, responsável pela decisão final. A agência também determinou que a área de fiscalização acompanhe a execução da obra conforme o novo cronograma. O relator foi o diretor Alexandre Florambel, e a decisão foi assinada pelo diretor-geral, Frederico Dias.
O documento não informa qual era o prazo anterior nem os motivos apresentados pela empresa para pedir a alteração. A autorização para o terminal foi firmada com a Antaq em 2021.
A Companhia de Investimentos do Centro Oeste é responsável pelo Terminal Portuário Paratudal, projetado para a Fazenda Toledal, às margens do rio Paraguai, na região de Cáceres. Em 2023, a empresa estimava investimento de R$ 500 milhões e previa entregar o porto em 2026. O projeto pretende ligar Mato Grosso à hidrovia Paraguai-Paraná e aos países da Bacia do Prata para o transporte de grãos, fertilizantes e contêineres.
O terminal recebeu licença prévia da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) em 2022. O documento foi aprovado pelo Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema) por 16 votos a 5. Na ocasião, a empresa aguardava a licença de instalação para iniciar as obras.
O projeto também é alvo de questionamentos judiciais. Em 2020, o Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública contra o Ibama, o Governo de Mato Grosso, a Companhia de Investimentos do Centro Oeste e outras empresas e entidades ligadas a portos no chamado Tramo Norte do rio Paraguai, entre Cáceres e Corumbá (MS). O MPF sustenta que o licenciamento dos terminais dependeria do licenciamento prévio da hidrovia pelo Ibama e de uma avaliação ambiental integrada do trecho.
Em janeiro de 2021, a Justiça Federal em Mato Grosso suspendeu esses licenciamentos. No ano seguinte, segundo entidades ambientais, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região autorizou, em caráter liminar, a continuidade do processo.
Neste ano, a Procuradoria da República instaurou procedimento para acompanhar os efeitos da dragagem e da implantação da hidrovia no Pantanal. No documento, o órgão cita o Terminal Paratudal e o Porto de Cáceres como exemplos de empreendimentos licenciados separadamente. Segundo o MPF, esse modelo pode dificultar a avaliação dos impactos acumulados sobre o ecossistema.