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Mulheres de Mato Grosso transformam fala de Cármen Lúcia em música sobre arte e democracia
Por Julianne Caju
15/10/2026 - 09:04

Grupo Mulheres da Terra do Sol apresentou composição inspirada em reflexão da ministra do STF sobre a arte como espaço de transgressão e liberdade

A reflexão da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a arte como espaço de transgressão no Estado Democrático de Direito inspirou uma composição do grupo mato-grossense Mulheres da Terra do Sol, apresentada nesta terça-feira (13), durante a abertura da Semana do Conhecimento da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), em Cuiabá. A apresentação reuniu música, poesia e reflexões sobre liberdade, ciência e democracia.

“A arte é transgressora. É o único espaço do Estado Democrático de Direito em que se pode transgredir.” A declaração da ministra foi incorporada à composição, que também aborda a capacidade da expressão artística de denunciar, questionar e afirmar a própria humanidade.

Formado por Estela Ceregatti, Jake Xavier, Maiara Monteiro, Nathally Sena e Shirley Black , o Mulheres da Terra do Sol desenvolve um trabalho que articula referências afro-indígenas, manifestações populares brasileiras e ritmos regionais. Na apresentação, as artistas transformaram o pensamento da ministra em versos e musicalidade, com trechos como “Sem arte não há vida”, “Licença pra criar” e “Arte, ciência, democracia”, este último repetido como refrão ao longo da composição.

A composição também permite refletir sobre os espaços ocupados pelas mulheres na produção artística e intelectual. Em uma sociedade marcada por desigualdades no acesso à cultura e ao conhecimento, a presença de artistas que articulam suas vivências e referências territoriais à criação musical amplia as possibilidades de expressão e circulação de diferentes saberes.

A apresentação antecedeu a conferência “Ciência e Democracia: caminhos para a equidade”, na qual Cármen Lúcia defendeu o acesso ao conhecimento como direito fundamental e destacou o papel dos estudantes na transformação da sociedade. A ministra relacionou educação e liberdade à capacidade de compreender a si mesmo e ao outro, desenvolver pensamento crítico e participar da construção democrática.

“O conhecimento, a ciência, é o espaço que nós temos para não ter apenas liberdades, mas termos libertação”, afirmou.

Durante a palestra, Cármen Lúcia também abordou a desigualdade de gênero na produção científica, citando pesquisadoras cujas contribuições não receberam o mesmo reconhecimento concedido aos homens. A discussão sobre quem produz conhecimento e quem recebe reconhecimento dialoga com questões presentes na produção cultural, especialmente quando se considera a participação das mulheres e a diversidade de saberes.

A ministra participou da abertura da Semana do Conhecimento da UFMT, que segue até 19 de outubro, com atividades de pesquisa, extensão e divulgação científica. Durante a cerimônia, recebeu a primeira Láurea da Ordem Universitária do Brasão concedida pela instituição.

Ao transformar em música uma reflexão sobre transgressão, o Mulheres da Terra do Sol também colocou em discussão o papel da criação artística na defesa das liberdades e na construção de uma sociedade em que diferentes vozes possam se expressar e ser reconhecidas.

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