Hoje, segunda, indo para o serviço, percebi que a rotina segue, depois de uma eleição presidencial histórica. Os carros passando, naquele ritmo de cidade pequena, senhores conversando nas esquinas, o comércio abrindo. Voltamos à rotina… O que!? De jeito nenhum! Esse escrutínio nos traz muitas lições e aprendizados, de que não devemos nos acomodar e deixar tudo pra última hora, pois o Bolsonarismo segue firme e forte, e devemos seguir também.
No último domingo (25 de outubro de 2026), Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, foi eleito com mais de 64 milhões de votos para o seu quarto mandato como presidente da República do Brasil. Um feito inédito. Histórico. Mas estivemos à beira do abismo: de entregar o país a um político com muitas, mas MUITAS conexões com a milícia. E ele, certamente, entregaria o Brasil - as nossas terras raras - aos Estados Unidos. Assim, a disputa presidencial foi muito mais além do que Esquerda versus Direita. Era uma questão de soberania, pois aqui não é o quintal de ninguém. A Democracia venceu, pelo menos por enquanto…
O povo brasileiro não fugiu à luta e deu seu recado nas ruas, nas urnas, diante de uma América Latina cercada de governos de extrema direita, sob a batuta do imperialismo estadunidense. Aqui não, Tio Sam!
Que show foi o Domingo. Cenas comoventes, dos nossos anciões de mais de 100 anos indo votar; do povo no metrô; nas aldeias; barcos abarrotados de gente, atravessando o Rio Amazonas para votar. Rio de gente nos asfaltos das grandes capitais, das cidades pequenas, entornando pelas ladeiras, entupindo o meio fio. “Esquina mais de um milhão, quero ver então a gente, gente, gente, gente, gente, gente, gente, gente, gente… Como diria o nosso grande Lô Borges, na música Clube da Esquina II.
Eu disse no início que a rotina voltou, mas, observando melhor, a segunda-feira amanheceu diferente na cidade. Diferente daquele calor habitual, com os raios de sol surgindo, logo nas primeiras horas da manhã, a cidade acordou com um vento fresco, como se estivesse respirando aliviada.
Sobre os aprendizados dessa eleição, pra mim, a maior lição que fica é que a mobilização, o diálogo e a escuta ativa devem ser um processo contínuo. Que conscientização e entendimentos políticos não se constroem aos 45 minutos do segundo tempo.
O Bolsonarismo é uma força resiliente e uma realidade indiscutível. Dito isso, para quem preza pela democracia, pela diversidade. Para quem combate o racismo, a homofobia, o feminicídio, o facismo e a intolerância religiosa. Para quem quer manter o Brasil soberano, nas mãos dos brasileiros, é preciso estar atento e mobilizado nas ruas, nas redes, disputando mentes e corações. Só assim conseguiremos extirpar do coração desse país ideias autoritárias, que querem destruir a democracia: a nossa liberdade de expressão.
Sigamos atentos e fortes!
*Marcio Camilo é jornalista e mestre em Comunicação e Poder pela Universidade Federal de Mato Grosso (PPGCOM-UFMT)