A técnica judiciária Rosemar Santos foi atropelada na noite do último domingo, na rua lateral da praça Barão do Rio Branco, no Centro de Cáceres, quando participava da comemoração da vitória do presidente reeleito Luis Inácio Lula da Silva . O fato ocorreu por volta das 22:30 h, quando ela já estava de saída do local indo na direção do seu carro, para ir embora.
Ela desmaiou no local, foi socorrida por amigos , levada ao hospital, onde permanceu sob cuidados médicos. Sofreu lesões na face e nos pés e corre o risco de cirurgia.
Funcionária do Fórum da comarca de Cáceres, ela participou de forma ativa da campanha pró-Lula em suas redes sociais, e com o ocorrido, surge a indignação. Ao Diário de Cáceres, Rosemar afirma que nunca imaginou que uma situação envolvendo política pudesse chegar a esse ponto. "Sofrer um acidente em meio a uma situação de intolerância política é algo que mexe com a gente, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. É triste perceber que algumas pessoas ainda não conseguem aceitar opiniões diferentes e, principalmente, lidar com uma derrota política de forma madura."
" Ver pessoas de esquerda comemorando não deveria ser motivo para agressividade, ameaças ou qualquer atitude que coloque a vida de alguém em risco", considera.
"Respeito o direito de cada pessoa ter suas próprias convicções políticas, mas acredito que o respeito precisa existir dos dois lados. Comemorar uma vitória não é um crime, assim como pensar diferente não deveria ser motivo de perseguição ou violência. O que aconteceu me fez refletir sobre como a intolerância pode ultrapassar limites que jamais deveriam ser ultrapassados. Nenhuma disputa política vale a nossa paz, a nossa integridade ou a nossa vida" - afirma Rosemar.
A ocorrência foi registrada e o caso egue sob investigaçãoda Polícia Judiciária Civil. O suspeito ainda não foi identificado. Uma testemunha afirma que o carro envolvido é da cor branca, provavelmente um Up. A vítima pede que quem viu ou que souber de algo sobre o ocorrido, que denuncie, pois todas as informações são importantes para a investigação.
"Eu não quero alimentar mais ódio, mas sim deixar uma reflexão: perder uma eleição faz parte da democracia; perder o respeito pelo próximo é uma escolha. Precisamos aprender a conviver com as diferenças, porque, acima de qualquer partido ou ideologia, somos seres humanos e merecemos respeito.Que a consciência fale mais alto do que a raiva, e que a política nunca seja uma justificativa para colocar a vida de alguém em perigo."
Apesar das circunstâncias que envolveram o atropelamento, a vítima diz que não tem certeza que foi por motivos políticos ou se o condutor fugiu por outros motivos, "mas devido a forma como aconteceu, eu penso que pode sim, ter sido por intolerância, e mesmo se não foi, creio que o caso merece atenção, deve ser investigado com rigor, para chegar a esse condutor que me atropelou e fugiu sem prestar socorro".