Quatro homicídios já foram registrados em Cáceres (a 220 km de Cuiabá) por causa da guerra de facções neste mês. Um dos casos foi de um adolescente de 14 anos, morto por engano na cidade. O alvo seria o irmão dele, que seria integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC). De acordo com o delegado Higo Rafael, titular da Delegacia Regional da cidade, cada vez mais adolescentes estão sendo cooptados pelas facções para cometer os crimes, por serem mão de obra fácil e barata.
“Os adolescentes são mão de obra que as facções cooptam facilmente. Por quase nada. E eles sabem que para um adolescente desses ficar internado mesmo por dois, três anos, é muito difícil. A incidência criminosa de um adolescente é altíssima. Ele mata um, dois, para poder ficar internado. Por isso eles são tão procurados por elas [facções]”, lamenta.
O crime foi cometido por três menores, sendo que um deles já havia sido apreendido outras duas vezes em 2025. Além dele, outra adolescente, também de 17 anos, também foi apreendida. Ela era ex-namorada do irmão da vítima e confessou ser mentora do ataque. Um terceiro suspeito, de 16 anos, morreu no domingo (18), em troca de tiros com a Força Tática da Polícia Militar.

(foto reprodução) -
“Ele foi apreendido em julho de 2025, foi solto. Foi apreendido novamente em outubro e logo depois estava na rua. Então assim, a polícia faz a parte dela. Ele tinha sido apreendido duas vezes no ano passado. É complicado”, lamenta.
Para Higo, uma das questões que influencia é justamente a falta de penalização mais rígida para esses menores.
“Se for porte de arma, tráfico de drogas, crimes que não têm violência real, eles nem são apreendidos. Só passam pela delegacia e vão para as ruas”, salienta. “Se for latrocínio, homicídio, talvez fique. Mas aí fica 45 dias internado e vão para as ruas de novo”, acrescenta.
Assim como o governador Mauro Mendes (União), o delegado também pede leis mais duras e defende mudança no estatuto para diminuir a maioridade penal. No entanto, isso não é atribuição dele e sua função é prender. “A polícia faz a parte dela. Agora nossa legislação também tem que ajudar [a mantê-los fora das ruas”, completa.