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Mato Grosso registra 27 mulheres assassinadas em sete meses
Por Daffiny Delgado e Fernanda Escouto| Estadão Mato Grosso
25/07/2026 - 19:37

Foto: ilustrativa

Mato Grosso registrou 27 mulheres assassinadas entre janeiro e 23 de julho de 2026, segundo dados do Observatório Caliandra. Cuiabá lidera o número de casos, com quatro mortes, seguida por Várzea Grande, com três registros.

Os números reforçam o cenário apresentado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026, divulgado na quinta-feira, 23 de julho. O levantamento aponta que Mato Grosso permanece entre os estados com as maiores taxas de feminicídio do país.

Em 2025, foram 52 mulheres assassinadas por razões de gênero no Estado. O número equivale a cerca de 2,9 feminicídios para cada 100 mil mulheres, a terceira maior taxa nacional, atrás apenas de Acre e Rondônia.

Junho foi o mês com mais assassinatos neste ano, com sete registros. Em seguida aparecem março, com seis casos; maio, com quatro; janeiro e abril, com três cada; e fevereiro e julho, com dois casos cada, considerando os dados contabilizados até o dia 23.

Além de Cuiabá e Várzea Grande, Vila Bela da Santíssima Trindade e Tangará da Serra registraram duas mortes cada. Também houve um caso em Tapurah, Sinop, São José do Xingu, Rondonópolis, Poxoréu, Porto dos Gaúchos, Nova Maringá, Nova Bandeirantes, Lucas do Rio Verde, Itaúba, Guarantã do Norte, Confresa, Chapada dos Guimarães, Castanheira, Brasnorte e Aripuanã.

Em relação ao local dos crimes, 14 mulheres foram mortas em imóveis, sendo sete dentro da própria residência. Outros quatro assassinatos ocorreram em via pública, um em propriedade rural e um em outro local, conforme a classificação do Observatório Caliandra.

A faca foi o principal instrumento usado nos crimes, presente em 12 casos. As mortes por asfixia ou estrangulamento somaram seis registros, enquanto quatro vítimas foram mortas a tiros. Também houve dois casos com uso de instrumento contundente, dois atropelamentos e um espancamento.

Quanto à motivação, nove crimes foram atribuídos ao menosprezo ou discriminação à condição de mulher. Outros nove tiveram como motivação ciúmes, sentimento de posse ou machismo. Em cinco casos, o assassinato ocorreu em razão da separação ou da tentativa de rompimento do relacionamento. Discussões motivaram outros três crimes, e um caso teve origem em questão financeira.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2026 também aponta que a maioria das vítimas de feminicídio no país tinha entre 18 e 44 anos, foi morta dentro da própria residência e tinha como autor o companheiro ou ex-companheiro. Em âmbito nacional, 97% dos autores eram homens e quase metade dos crimes ocorreu no ambiente doméstico.

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