A abertura de novas áreas desmatadas para o garimpo ilegal na Terra Indígena (TI) Sararé, na região de Pontes e Lacerda (440 km a Oeste de Cuiabá), caiu 97%, segundo balanço divulgado pelo Ministério Público Federal (MPF).
O resultado é atribuído à atuação de uma força-tarefa de órgãos federais que, desde março deste ano, realiza ações para retirar ocupantes irregulares e combater ilícitos ambientais no território do povo Nambikwara.
De acordo com o levantamento, foram realizadas 1.313 operações, com prejuízo estimado em R$ 111,5 milhões ao crime organizado.
As intervenções atingiram frentes de exploração clandestina de ouro e estruturas de abastecimento, transporte e apoio aos invasores.

O percentual de redução se refere à abertura de novas áreas para a atividade garimpeira. Não representa, portanto, a recuperação de 97% da superfície anteriormente degradada.
Com apoio de inteligência do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), a força-tarefa identificou e inutilizou 1.431 alvos.
Desse total, 570 pontos constavam do levantamento inicial, 696 foram descobertos pelas equipes durante as varreduras e outros 165 foram detectados por monitoramento de satélite.
Segundo o MPF, não havia pendências entre os alvos mapeados no balanço.
O órgão destaca que o patrulhamento contínuo e o monitoramento são necessários para proteger os indígenas e impedir a reorganização das frentes de garimpo.
PRISÕES E APREENSÕES - As ações resultaram na condução de 160 pessoas à Polícia Federal, das quais 72 foram presas em flagrante.
As equipes também desmantelaram 33 túneis subterrâneos utilizados na exploração clandestina de ouro.
Foram apreendidos 153 gramas de ouro e quase seis quilos de mercúrio, substância tóxica empregada no garimpo e capaz de contaminar o solo e os recursos hídricos.
O balanço registra ainda a apreensão de nove armas de fogo, 596 munições, aproximadamente 43 mil litros de óleo diesel e pouco mais de 13 mil litros de gasolina.
Entre os veículos e equipamentos recolhidos estavam três escavadeiras hidráulicas, duas máquinas leves e sete motocicletas.
ESTRUTURA DESMANTELADA - Além das apreensões, a força-tarefa inutilizou equipamentos para inviabilizar a retomada imediata da exploração ilegal.
Foram atingidas 31 escavadeiras hidráulicas, 829 motores de garimpo, 445 máquinas leves, 341 geradores, dois tratores de esteira e 2,7 mil metros de mangueira de sucção.
As equipes também neutralizaram quase quatro toneladas de emulsão explosiva. Segundo o MPF, a retirada desse material elimina riscos à segurança das pessoas e ao ambiente.
A ofensiva contra a logística do garimpo incluiu a inutilização de 63,1 mil litros de diesel e 4,2 mil litros de gasolina.
Outros 200 acampamentos foram desmantelados.
O levantamento relaciona ainda, nessa etapa, 98 motocicletas, cinco armas de fogo e duas munições retiradas de circulação.
Para o procurador da República Gabriel Infante Magalhães Martins, a retirada dos ocupantes irregulares precisa estar associada à proteção duradoura do território.
“A atuação do MPF é fundamental para assegurar que a desintrusão da Terra Indígena Sararé resulte em uma política permanente de salvaguarda dos direitos humanos, territoriais e ambientais”, afirmou.
Segundo o procurador, o trabalho combina inteligência institucional, atuação judicial e articulação entre os órgãos envolvidos. O MPF mantém acompanhamento das medidas de segurança e de restauração do ecossistema local.