Hélio Pereira Cardoso Neto, 37 anos, tornou-se um foragido da justiça -- que decretou sua prisão preventiva -- depois que a mulher M.C.M.S., 23 anos, o denunciou por uma suposta série de agressões, tortura física e psicológica e cárcere privado. O caso ganhou rápida repercussão devido à publicação em sites de notícia locais e pelo fato de o suspeito ser filho de um dos donos do Shopping Três Américas. A denúncia foi feita na segunda-feira (18).
Segundo o relato de sua ainda esposa à Polícia Civil, registrado em boletim de ocorrência, os abusos e agressões ocorreram por pelo menos dois anos – período no qual recebia socos na cabeça e só podia sair na companhia do marido, que a acompanhava até mesmo nos momentos em que necessitava fazer as necessidades fisiológicas. Nas poucas ocasiões em que podia ser vista socialmente, como em restaurantes ou lojas, disse M.C., era obrigada a manter sempre a cabeça baixa.
Segundo o B.O. de número 2016.128409, de 16/04/2016, a Polícia Militar encontrou uma arma de fogo carregada com cinco munições e diversos medicamentos dentro da residência do casal. O mandado de busca e apreensão foi acompanhado pelo advogado do suspeito e pelo irmão dele.
Apesar de manter um relacionamento com o filho de empresário desde os 18 anos, conhecê-lo desde os 12 e estar casada desde 2012, a esposa denunciante afirmou que a liberdade só veio no sábado (16) passado, quando a justiça expediu um mandado busca e apreensão na casa dos dois e de prisão do marido, decretada pela juíza Ana Cristina Silva Mendes, da Vara Especializada de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Cuiabá. A jovem relatou em depoimento prestado naquela delegacia que sua prisão era a residência que dividia com o marido.
Sempre segundo o boletim de ocorrência, a família de M.C. só teria ficado sabendo dos abusos recentemente, quando a vítima passou a conseguir entregar bilhetes à mãe, pedindo ajuda. Em um desses bilhetes, a esposa relata que o marido queimou sua Bíblia para proibi-la de orar.
Além disso, o suspeito, denunciou a esposa, determinava quais roupas ela podia ou não usar. E ainda mais: obrigava-a a tomar remédios para dormir porque ele tinha prescrição médica para os tomar. Contou, ainda, que o marido a mantinha afastada da própria família. Em uma festa de família, teria obrigado M.C. a ler uma frase dizendo que seu marido seria seu pai, mãe e família.
Coisas banais, como atender o portão, assistir televisão e mudar o cabelo também seriam terminantemente proibidas por Hélio. Tudo isso entremeado por socos na cabeça e pancadas nos ombros e braços, sempre aos gritos de “puta e vagabunda”. M.C. agora está passando por tratamento psiquiátrico para tentar lidar com os traumas das supostas agressões.
OUTRO LADO -- A defesa de Hélio está sendo feita pelo advogado Anderson Nunes de Figueiredo. À reportagem do Diário, sua secretária disse que ele “saiu em viagem após o almoço” e que “só retorna, provavelmente, na sexta-feira (22)”. Ao site Olhar Direto, entretanto, teria dito somente que ainda não tem conhecimento algum sobre o caso e que precisava se inteirar do assunto. Teria admitido também a apreensão da arma, mas negou a posse desta por parte de seu cliente e fez a ressalva de que aquela teria “registro”. Garantiu também que Hélio iria se apresentar “no momento certo”.