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Predador: peixe exótico invade Rio Paraguai e é apanhado por pescador em Cáceres
Por Lidiane Moraes/Primeira Página
03/06/2026 - 09:14

Foto: reprodução

Espécie não é natural da Bacia do Paraguai e pode ameaçar peixes nativos do Pantanal, segundo biólogo.

 

Um pescador capturou um pirarucu na manhã desta terça-feira (2), no Rio Paraguai, em Cáceres. A presença do peixe acendeu um alerta porque a espécie não é natural da Bacia do Paraguai e é considerada invasora na região do Pantanal.

O vídeo da captura foi compartilhado pelo comandante naval Adilson Nani. Segundo ele, o peixe foi fisgado por um pescador conhecido como Cido, morador da região. Adilson contou ainda que este é o segundo caso de pirarucu no Rio Paraguai do qual teve conhecimento.

O pirarucu, de nome científico Arapaima gigas, é um peixe de grande porte e predador. Conforme a Resolução nº 02/2024 do Conselho Estadual de Pesca de Mato Grosso (Cepesca), a espécie está na lista de peixes exóticos, alóctones, invasores ou híbridos na Bacia do Alto Paraguai. A norma autoriza a captura e o transporte dessas espécies, exceto durante o período de defeso.

Depois de capturar o peixe, o pescador o devolveu ao rio.

De acordo com o biólogo e pesquisador da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), Derick Victor de Souza Campos, o pirarucu representa risco ao equilíbrio natural do Pantanal.

“Ele é considerado uma espécie invasora aqui na região do Pantanal. Assim como o tucunaré, essas espécies representam um perigo muito grande para o nosso ecossistema natural”, explicou.

Segundo o pesquisador, o pirarucu tem grande capacidade de adaptação em baías e lagoas, ambientes comuns no Pantanal. Com isso, pode colonizar rapidamente esses espaços e competir com espécies nativas por território e alimento.

Derick explica que peixes como pacu, pintado, cachara e dourado desovam na calha dos rios. Depois, quando as larvas crescem, elas migram para as baías. O problema é que, nesses locais, podem encontrar ambientes já ocupados por espécies exóticas, carnívoras e altamente competitivas.

A resolução do Cepesca também estabelece que os exemplares de espécies exóticas não são contabilizados na cota de captura e não precisam seguir medidas mínimas de pesca.

Na lista da Bacia do Alto Paraguai aparecem, além do pirarucu, espécies como tucunaré azul, tucunaré amarelo, tambaqui, tambacu, pirarara, corvina, tilápia, matrinxã e pirapitinga.

O coordenador municipal de Meio Ambiente de Cáceres, Dario Diego Senn, afirmou que o município acompanha a situação em parceria com instituições como a Unemat e o IFMT, além de participar de comitês de bacias hidrográficas da região.

“Nossas parcerias envolvem instituições de renome como Unemat e IFMT. Participamos dos comitês de bacias hidrográficas da nossa região e sempre estamos debatendo e fazendo, na prática, ações que envolvem monitoramento não somente do Rio Paraguai, mas também de seus afluentes, como Jauru, Cabaçal e Sepotuba”, disse.

Segundo Dario, a presença de peixes exóticos e invasores exige atenção por causa dos impactos ambientais.

“A questão de peixes exóticos e invasores a gente incentiva a pesca esportiva e a remoção desses animais, até porque existe ameaça ao equilíbrio ecológico, competição por alimento e predação de espécies nativas”, completou.

De acordo com a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema-MT), a pesca e o abate de espécies exóticas e predadoras em bacias onde elas não são naturais são permitidos, desde que respeitado o período de defeso.

Invasão de peixe exótico no Rio Paraguai levanta alerta sobre fiscalização de criadouros

O aparecimento de um pirarucu no Rio Paraguai, registrado por um pescador em Cáceres nesta semana, levantou um alerta sobre os impactos das espécies invasoras no Pantanal. Mas, segundo especialistas, há um detalhe importante que muitas vezes passa despercebido: o gigante amazônico não invade uma nova bacia hidrográfica por conta própria.

A presença do peixe no Rio Paraguai, onde ele não ocorre naturalmente, é consequência direta da ação humana, seja pela soltura irregular ou pelo escape de exemplares criados em pisciculturas.

O alerta foi reforçado pelo biólogo Helder Freitas, que chama a atenção para a origem do problema.“O peixe exótico não vem por vontade própria. Alguém soltou ou ele escapou de criadouros na bacia do Rio Paraguai. Então a fiscalização tem que ser em cima dos criadores que estão nas margens do rio”, afirmou.

A discussão também se conecta a uma normativa publicada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em março deste ano, antes do registro do pirarucu no Rio Paraguai. A regra passou a considerar o pirarucu uma espécie invasora quando encontrado fora de sua área de ocorrência natural, a Bacia Amazônica, e permite a captura e o abate do animal em diferentes regiões do país, incluindo a Bacia do Paraguai.

Predador de topo

Considerado um dos maiores peixes de água doce do mundo, o pirarucu pode ultrapassar dois metros de comprimento e pesar centenas de quilos. Além do porte impressionante, ele ocupa o topo da cadeia alimentar.

Segundo o biólogo e professor e pesquisador da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Francisco de Arruda Machado, trata-se de um peixe piscívoro, ou seja, que se alimenta principalmente de outros peixes.

Para o pesquisador, o principal problema não é apenas a presença do animal, mas as condições que permitem sua introdução em locais onde ele não deveria estar.

A legislação não permite a criação de espécies fora das bacias onde elas ocorrem naturalmente. Ainda assim, ele avalia que a fiscalização é insuficiente.

“O que acontece é que estão fazendo piscicultura em locais inadequados. De vez em quando um tanque rompe, um peixe escapa e vai parar no rio. A partir daí ele encontra espaço, alimento e poucas barreiras para sobreviver”, disse.

O pesquisador afirma que, na Bacia do Paraguai, o pirarucu encontra pouca competição direta por alimento e espaço, o que favorece sua permanência no ambiente.

Na Região Hidrográfica do Paraguai, espécies tradicionais do Pantanal, como pacu, dourado e pintado, estão entre as que podem sofrer impactos com a presença do predador amazônico.

O que diz a legislação

Segundo a Lei Estadual nº 13.027, aprovada pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) e sancionada em janeiro de 2025, a reprodução, criação e manutenção de espécies exóticas dependem de autorização dos órgãos ambientais competentes. A legislação também prevê regras específicas para e

Especialistas defendem que a fiscalização dos criadouros é uma das principais ferramentas para evitar novas ocorrências.

 

Posicionamento

A reportagem procurou a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) para saber como é realizada a fiscalização de criadouros de espécies exóticas e quais medidas são adotadas para evitar a introdução irregular de peixes predadores em bacias onde eles não ocorrem naturalmente. No entanto, o órgão ainda não se posicionou.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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