Aura é algo único. Por exemplo, o quadro da Monalisa está no Google, num chaveiro, numa camiseta ou num grafite pela cidade. Mas a marca indelével de Leonardo Da Vinci, encontra-se apenas no quadro original, que está exposto no museu do Louvre na França, e anualmente milhões de pessoas, do mundo todo, fazem fila para visitá-lo.
Esse conceito foi elaborado lá na década de 1930, pelo sociólogo alemão Walter Benjamin, em seu ensaio "A Obra de Arte na Era de sua Reprodutibilidade Técnica".
Já a expressão farmar é um termo que vem do mundo do games, do universo RPG, que significa coletar recursos e experiências para construir edificações, como casas, e progredir cada vez mais no jogo.
Então, “farmar aura”, pode ser entendido como “acumular experiências originais, únicas”, fazer algo que é somente seu, e que te mostra para o outro.
Nas redes sociais, isso pode ser uma via de mão dupla, porque, quando uma pessoa posta a capa de um livro, ela está farmando aura de pessoa culta. Mas será que é mesmo?
Eu, enquanto escrevo esse artigo, e cito Walter Benjamin, estou farmando aura de pesquisador, mas será que eu pesquisei mesmo? Será que eu li a obra de Benjamim? Estou farmando ou performando.
Em Cuiabá, o prefeito Abílio vetou, em espaço público, o primeiro campeonato de farmar aura da cidade. Na mídia, deu declarações homofóbicas a respeito do fenômeno, demonstrando total desconhecimento sobre o assunto, e performando para a sua claque nas redes sociais.
Mas foi um tiro no pé. Sua proibição repercutiu negativamente na imprensa nacional e
projetou ainda mais o evento, que acabou sendo acolhido pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), na última sexta-feira (24/07)
Deveria Abílio parar de performar nas redes e farmar aura, de verdade, na administração da cidade que está à deriva. Serviço é que não falta.
*MARCIO CAMILO, jornalista e mestre pelo programa de Pós-Graduação em Comunicação e Poder da Universidade Federal de Mato Grosso